Om Hari Sharan, eterno

Hari Om Sharan desde jovem desde sempre para sempre:

É simplesmente fascinante esse vídeo com Hari Om Sharan em sua juventude cantando o Sundara Kanda na versão poética insuperável de Goswami Tulsidas (गोस्वामी तुलसीदास) da lendária epopéia escrita por Valmik, o hindu que colocou na escrita as histórias e sagas contadas de boca a boca, orais, por séculos de narrativas.

Valmik foi o Homero da Índia.

Tulsidas foi o poeta maior.

Hari Om Sharan  nasceu em 26 de setembro de 1932 em Lahore (hoje Paquistão) e faleceu em Nova Iorque em 17 de dezembro de 2007.

Com minha visão positivista/dialética, mas não burra, acredito naquilo que pode ser provado pela ciência. É um caminho mais seguro, embora mais demorado e limitado, reconheço.

Essa ciência, com as experiências científicas de Miller & Urey, por exemplo, conseguiu mostrar que a vida no planeta Terra pode ter se originado do barro, como dizem os textos preservados do conhecimento/sabedoria milenar.

नमो नमः
Namo Namah!

Uma bela narrativa sobre Rama

Rama é o ser humano ideal, endeusado na mitologia hindú, como Aquiles e Ulisses  foram na Ilíada e Odisseia de Homero, Moisés e Isaías no Velho Testamento, Jesus e vários outros no Novo Testamento.

Todas as culturas guardam esse fundamento, desde os mesopotâmicos, egípcios, africanos, asiáticos, oceânicos, indígenas brasileiros, patagões, incas, maias, toltecas, astecas…

Sabemos que o mito representa e simboliza fundamentalmente uma verdade verdadeira.

Esta é uma narrativa sobre a história de Rama, um ser humano com valores íntegros, virtudes e deficiências que vão num crescendo de ações e relações, descobertas e aprendizados, em busca da ascensão espiritual na procura de seu próprio equilíbrio cósmico.

Mas esta, também, é uma narrativa muito inspirada em sua linguagem e modo de contar essa história, a história de Rama contada por Bhagavan Dasa Bhakti-sastri.

Clique na imagem abaixo e desfrute dessa inspiração:

Clique nas imagens abaixo para usufruir melhor de sua beleza:

नमो नमः
Namo Namah!

O Ramáiana

 

 

Ramáiana

Ramáiana, também conhecido como Ramayana ou Ramaiana é um épico sânscrito atribuído ao poeta Valmiki, parte importante do cânon hindu (smṛti). O nome Rāmāyaṇa é um composto tatpuruṣa (तत्पुरुष) de Rāma ayana indo, avançando“, cuja tradução é “a viagem de Rama“.

Rāmāyaṇa consiste de 24.000 versos em sete cantos (kāṇḍas) e conta a história de um príncipe, Rama de Ayodhya, cuja esposa Sita é abduzida por Rāvana, demônio (Rākshasa) rei da ilha de Lanka. Seus versos são escritos numa métrica de trinta e duas sílabas chamada de Anustubh. Na sua forma atual, o Ramáiana de Valmiki data variadamente de 500 a.C. a 100 a.C., quase contemporâneo às versões mais antigas do Mahābhārata. Como os épicos mais tradicionais, passou por um longo processo de interpolações e redações e é impossível datá-lo com precisão. O Ramáiana teve uma importante influência na poesia sânscrita posterior, principalmente devido ao uso da métrica Sloka. Mas, como o seu primo épico Mahābhārata, o Ramáiana não é só uma história ordinária. Contém os ensinamentos dos antigos sábios hindus e os apresenta através de alegorias na narrativa e a intercalação do filosófico e o devocional. Os personagens de Rama, Sita, Lakshmana, Bharata, Hanumān e Rāvana (o vilão) são todos fundamentais à consciência cultural da Índia.

Uma das mais importantes obras literárias da Índia antiga, o Ramáiana teve um profundo impacto na arte e na cultura do subcontinente indiano e do sudeste asiático. A história de Rama também inspirou uma grande quantidade de literatura posterior em várias línguas, entre os quais estão as obras do poeta hindi do século XVI, Tulsidas, e o poeta tamil Kambar, do século XIII.

O Ramáiana não é só um conto religioso hindu. A partir do século VIII, começou a colonização do sudeste asiático pelos indianos. Vários grandes impérios, como os Khmers, os Majapahits, os Sailendras, os Champas e Sri Vijaya, se estabeleceram. Por causa disso, o Ramayana se tornou popular no sudeste asiático e se manifestou em texto, arquitetura e performance, particularmente na Indonésia (Java, Sumatra, Bali e Bornéu), Tailândia, Camboja, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas e Vietnã.

Estrutura do Ramáiana de Valmiki

Ramáiana de Valmiki, a mais antiga versão da obra, é a base de todas as várias versões do Ramáiana que prevalecem nas várias culturas. O texto sobrevive em vários manuscritos completos e parciais, sendo o mais antigo sobrevivente datado do século XI d.C. O texto atual do Ramayana de Valmiki veio a nós em duas versões regionais do norte e do sul da Índia. O Ramayana de Valmiki é tradicionalmente dividido em sete livros, lidando com a vida de Rama do seu nascimento até a morte:

Bala Kanda– Livro do jovem Rama, que detalha o nascimento miraculoso de Rama, a sua vida em Ayodhya, o assassínio que fez dos demônios da floresta a pedido de Vishvamitra e o seu casamento com Sita.

Ayodhya Kanda– Livro de Ayodhya, em que Dasharatha fica aflito com a sua promessa a Kaikeyi, e o começo do exílio de Rama.

Aranya Kanda– Livro da Floresta, que descreve a vida de Rama na floresta e a abdução de Sita por Rāvana.

Kishkindya Kanda– Livro de Kishkinda, o reino dos Vanara em que Rama faz amizade com Sugriva e o exército dos Vanaras começa a busca por Sita.

Sundara Kanda– Livro de Sundara (Hanuman) em que Hanuman viaja a Lanka, encontra Sita aprisionada lá e leva as boas notícias a Rama.

Yuddha Kanda– Livro da Guerra, que narra a guerra Rama-Rāvana, o retorno do vitorioso Rama a Ayodhya e a sua coroação.

Uttara Kanda– Epílogo, que detalha a vida de Rama e Sita após o seu retorno a Ayodhya, o banimento de Sita e como Sita e Rama passam para o próximo mundo.

Houve especulações sobre se o primeiro e o último capítulos do Ramáiana de Valmiki foram realmente escritos pelo autor original. Muitos especialistas são da opinião de que eles são parte integral do livro, apesar das muitas diferenças de estilo e algumas contradições de conteúdo entre esses dois capítulos e o resto do livro. Esses dois capítulos contêm a maior parte das interpolações mitológicas encontradas no Ramayana, como o nascimento miraculoso de Rama e a sua natureza divina, e também as inúmeras lendas que cercam Rāvana.

Personagens principais

  • Rama é o herói deste conto épico. Ele é retratado como uma encarnação do deus Vixnu. Ele é o filho mais velho e favorito do rei de Ayodhya, Dasharatha. Ele é um príncipe popular, adorado por todos. Ele é o epítome da virtude. Dasaratha, forçado por uma de suas esposas, Kaikeyi, manda Rama renunciar ao seu direito ao trono por quatorze anos e entrar em exílio por seu pai. Enquanto no exílio, Rama mata o rei demônio Rāvana.

  • Sita é a esposa de Rama e a filha do rei Janaka. Ela é a encarnação da deusa Laxmi (esposa do deus Vixnu). Sita é o epítome da pureza e virtude femininas. Ela segue o seu marido no exílio e lá é abduzida por Rāvana e aprisionada na ilha de Lanka. Rama a resgata matando o rei demônio Rāvana.

  • Hanuman é um vanara que pertence ao reino de Kishkinda. Ele adora Rama e o ajuda a encontrar Sita indo ao reino de Lanka e cruzando o grande oceano.

  • Lakshmana, o irmão mais novo de Rama, escolheu entrar em exílio com ele. Ele passa o tempo protegendo Sita e Rama. Ele é enganado por Rāvana e Maricha, acreditando que Rama estava em perigo enquanto Sita é abduzida.

  • Rāvana, um rakshasa, é o rei de Lanka. Ele recebeu de Brahma a dádiva  de que não seria morto nem por deuses, nem por demônios e nem por espíritos, após cumprir uma severa penitência de dez mil anos. Ele também era o ser mais inteligente e erudito do seu tempo. Ele tem dez cabeças e vinte braços. Após conseguir sua recompensa de Brahma, Rāvana começa a devastar a terra e perturba as ações de bons brâmanes. Rama nasce humano para matá-lo, superando assim o benefício dado por Brahma.

  • Dasharatha é o rei de Ayodhya e pai de Rama. Ele tem três rainhas, Kousalya, Sumitra e Kaikeyi, e três outros filhos, Bharata, Lakshmana e Shatrughna. Kaikeyi, a rainha favorita de Dasharatha, força-o a tornar seu filho Bharata legítimo e mandar Rama a um exílio. Dashatara morre de mágoa após que Rama entra em exílio.

  • Bharata é o segundo filho de Dasharata. Quando ele descobre que a sua mãe Kaikeyi forçou Rama em exílio e fez com que Dasharata morresse de mágoa, ele corre para fora do palácio e vai à procura de Rama. Quando Rama se recusa a quebrar o exílio para retornar à capital e assumir o trono, ele pede as sandálias de Rama e as coloca no trono. Bharata então comanda Ayodhya como representante de Rama.

  • Vishvamitra é o sábio que leva Rama à floresta com o propósito de derrotar os demônios que destróem os sacrifícios védicos. Na volta, ele leva Rama a Mithila, onde Rama vê Sita e se apaixona por ela.

Sinopse

Rama, o herói do Ramáiana, é uma divindade popular adorada pelos hindus, sendo a rota de sua viagem, a cada ano, percorrida por peregrinos devotos. O poema não é um mero monumento literário, é uma parte do Hinduismo, e é tido em tal reverência que o mero ato de o ler ou ouvir é dito pelos hindus de libertá-los do pecado e garantir todos os desejos do leitor ou ouvinte. De acordo com a tradição hindu, Rama é uma encarnação (Avatar), do deus Vixnu, que é parte da Trindade hindu. O principal propósito da sua encarnação é demonstrar o caminho correto (dharma) à vida na terra.

A juventude de Rama

Brahma, o criador do universo, não podia revocar um benefício que ele deu ao rei demônio Rāvana, como uma recompensa às suas severas penitências, de que ele não deveria ser morto por deuses, demônios ou espíritos. Tendo sido então recompensado, Rāvana começou, com a ajuda dos seus auxiliadores do mal, os Rakshasas, a devastar a terra e fazer violência ao bem, especialmente aos padres brâmanes, perturbando os seus sacrifícios. Todos os deuses, assistindo a essa devastação, foram a Brahma para achar um meio de entregarem a si mesmos e à terra desse mal. Brahma foi a Vixnu carregando a angústia dos deuses e pediu que Vixnu encarnasse na terra como um humano para destruir Rāvana, porque Rāvana não havia pedido proteção contra humanos ou bestas nos seus pedidos a Brahma.

Enquanto isso, o bom rei Dasharatha de Ayodhya, que regera o seu Reino de Côssala por muito tempo, estava começando a ficar ansioso quanto ao seu sucessor, porque ele não tinha filhos para suceder ao trono. Seguindo o conselho dos seus ministros e padres, Dasharatha organizou um Putrakameshti Yagna, um sacrifício para progênie. Vixnu decidiu nascer como o primogênito de Dasharatha e fez com que um ser divino emergisse do fogo sacrificial. O ser divino deu a Dashratha um recipiente dourado cheio de néctar e o pediu que o desse para as suas rainhas. Dasharatha o dividiu entre as três rainhas, Kausalya, Sumitra e Kaikeyi. No devido curso, elas ficaram grávidas e deram à luz quatro filhos: a Rainha Kausalya dá à luz o primogênito, Rama, Bharata nasce da Rainha Kaikeyi e os gêmeos Lakshmana e Shatrughna nascem da Rainha Sumitra.

Os filhos cresceram aprendendo as escrituras e a arte do arco-e-flecha do sábio Vasishta. Um dia, o sábio Vishwamitra visitou o reino e pediu ao rei Dasaratha que mandasse Rama para o proteger dos demônios que estavam perturbando seus sacrifícios. Embora muito relutante, Dasharatha concordou que fossem Rama e Lakshmana com Vishwamitra. Enquanto os irmãos cumpriam seus deveres, Vishwamitra ficou contente com eles e deu-lhes várias armas celestiais.

Perto do final da sua estadia com Vishwamitra, Rama teve a chance de passar perto do reino de Mithila e ouviu que o rei, Janaka, tinha oferecido a sua filha inigualável, Sita, em casamento ao homem que pudesse entortar o poderoso arco do deus Shiva, que tinha sido guardado na corte de Janaka. Rama estava determinado a realizar o feito, que tinha sido em vão tentado por tantos pretendentes. Quando ele se apresentou na corte, Janaka foi imediatamente ganho pela sua juventude e beleza. Rama, sem nenhum esforço aparente, entortou o arco até que quebrasse, e Janaka orgulhosamente deu a ele a sua filha. Depois que a esplêndida cerimônia de casamento acabou, o casal satisfeito viajou para Ayodhya.

O exílio de Rama

O rei Dasharatha começou a se sentir cansado de reinar, e decidiu tornar Rama, o seu primogênito e herdeiro, o co-regente (Yuvaraja). O seu povo recebeu o anúncio de sua intenção com encanto e a cidade inteira estava no meio das mais esplêndidas preparações para a cerimônia. Dasharatha foi discutir as celebrações com a sua esposa favorita, Kaikeyi. Contudo, a inveja de Kaikeyi foi despertada pela sua empregada má, Manthara, porque o filho de Kausalya, e não o seu filho, Bharata, no momento ausente da cidade, iria se tornar rei. Ela fugiu para uma sala onde Dasharatha a encontrou em lágrimas…

Às perguntas preocupadas de Dasharatha, recordou Kaikeyi que, anos atrás, o rei antigo tinha lhe garantido dois benefícios. Isso foi resultado de uma guerra em que estava o rei antes que seus filhos nascessem. Ele estava andando de carruagem, quando a roda estava prestes a cair. A rainha Kaikeyi estava com ele, e sacrificou o seu dedo, colocando-o na roda para segurá-la no lugar, salvando assim a vida do seu marido. Para mostrar a sua gratidão ele lhe ofereceu dois desejos para serem atendidos. Ela os aceitou com gratidão e disse a ele que não tinha uso para tais benefícios no momento e os iria usar quando fosse necessário.

Ela agora pedira a realização desses desejos. Dasharatha concordou e Kaikeyi revelou as suas exigências. Ela precisava, primeiro, que ele designasse o seu filho, Bharata, como co-regente e, segundo, que mandasse Rama, por quatorze anos, a um exílio na terrível floresta de Dandaka. Dasharatha ficou magoado mas teve de cumprir a sua promessa. Rama, o filho obediente, imediatamente concordou em renunciar à sua reivindicação ao trono e partiu para o seu exílio. A sua fiel esposa Sita e o seu afetuoso irmão Lakshmana também decidiram ir juntos com Rama. Com Dasharatha agoniado, Rama partiu para a floresta. Logo em seguida, o rei Dasharatha morreu, superado pela aflição.

A abdução de Sita

Rama, Sita e Lakshmana deixaram Ayodhya e o seu povo, cruzaram o rio Ganges e entraram na floresta. Eles encontraram um lugar idílico chamado Chitrakuta para estabelecer o seu eremitério. Nenhum lugar mais bonito poderia ser imaginado. Flores de todo o tipo, frutas deliciosas, e, por todo o lado, os prospectos mais agradáveis, junto com o amor perfeito, é dito de ter feito de seu eremitério um paraíso na terra. Na floresta, Rama fez amizade com o velho rei-urubu, Jatayu.

Enquanto isso Bharata voltou a Ayodhya e, sendo também devoto de Rama, ficou furioso com Kaikeyi pelo seu papel no exílio de Rama e pela morte de Dasharatha. Determinado a trazer Rama de volta, ele foi à floresta. Quando ele encontrou Rama e o suplicou a voltar e assumir o trono, Rama educadamente recusou, dizendo que sempre cumpriu os deveres para que o desejo do pai fosse realizado. Relutantemente, Bharata concordou em voltar ao trono, pedindo que Rama desse a ele as sandálias. De volta a Ayodhya, Baratha colocou as sandálias de Rama no trono de Ayodhya e governou como representante de Rama de uma vila chamada Nandigrama, próxima a Ayodhya, esperando pelo seu retorno. Ele também fez um voto de que terminaria a própria vida se Rama não pudesse voltar em quatorze anos.

Um dia a rakshasi Surpanakha, uma irmã do rei demônio Rāvana, foi ao eremitério de Rama, viu o belo Rama e foi cativada. Tomando a forma de uma bela jovem, ela tentou seduzir Rama. Rama, sempre fiel à sua esposa Sita, não respondeu e pediu que ela tentasse com Lakshmana. Lakshmana também recusou, afirmando que o seu dever com o seu irmão e a sua cunhada era mais importante. Enfurecida, Surpanakha culpou Sita, porque os homens que recusaram Surpanakha tinham dever para com ela na sua forma demoníaca original. Contudo, Lakshmana salvou Sita cortando o nariz e as orelhas de Surpanakha. Surpanakha voou de volta a Rāvana reclamando dos jovens exilados. Rāvana, após ouvir de Surpanakha sobre a bela Sita, resolveu matar Rama por vingança e levar Sita para ele. Ele requestou a ajuda do demônio Maricha. Maricha se transformou em um cervo dourado que Sita queria. Ela pediu a Rama para pegar o cervo para ela mas, depois que Rama saiu para buscá-lo, Maricha começou a gritar para enganar Lakshmana. Lakshmana, convencido de que Rama estava em perigo, resolveu sair e achar o seu irmão. Antes de deixar Sita sozinha na cabana, Lakshmana desenhou um círculo na areia dizendo que Sita estaria segura contanto que ficasse dentro do círculo. Rāvana se aproximou do eremitério na forma de um velhinho e pediu a Sita para dar alguma comida. Inicialmente hesitante de sair do círculo de Lakshmana, Sita finalmente saiu para dar comida ao velhinho. Nesse momento, Rāvana pegou Sita e voou no seu veículo aerotransportado, (Pushpaka Vimana). Jatayu, os vendo voar, tentou salvar Sita, mas Rāvana combateu Jatayu e cortou as suas asas. Na volta ao eremitério, Rama e Lakshmana o encontraram vazio, e ansiosamente começaram a procurar. Através de Jatayu, que eles encontraram caído, Rama e Lakshmana souberam do destino de Sita.

O reino de Vanara

Continuando a busca, eles encontraram o reino vanara de Kishkindha, Sugriva e Hanuman, um dos seus generais, para os quais Sita jogou da carruagem o seu lenço e alguns ornamentos. Sugriva tinha sido deposto do seu reino pelo seu irmão, Vali, que também lhe roubou a esposa, Roma. Rama concordou em derrotar Vali se Sugriva o ajudasse na busca por Sita. Feito o acordo, Sugriva desafiou Vali a um duelo. Enquanto o duelo ia progredindo, Rama atirou uma flecha, matando Vali. Sugriva ganhou de volta o seu reino e a sua esposa.

Sugriva e Rama mandaram os soldados vanara em várias direções para procurar Sita. Contudo, os seus esforços não deram fruto, até que encontraram outro antigo urubu, Sampati, irmão de Jatayu. Sampati era deformado – suas asas queimaram quando ele voou muito próximo ao Sol (uma história que pode ser considerada similar à do Ícaro, o grego fugindo de Creta). Seu irmão, sendo mais forte, o salvara de cair no Sol. Enquanto Jatayu era o mais forte fisicamente dos dois, Sampati possuía o compensador dom da visão. A visão de Sampati era incrivelmente poderosa, alcançando várias centenas de yojanas e o permitindo ver mais longe que qualquer um. Sabendo que Rāvana havia matado Jatayu, ele prontamente concordou em ajudar os vanaras. Ele logo pôde ver Sita na direção sul. Ele a pôde ver aprisionada num jardim de árvores Ashoka na ilha de Lanka, além do oceano do sul.

Hanuman em Lanka

Sugriva despachou o seu exército ao sul com o seu sobrinho Angada na liderança. Hanuman foi com Angada, como seu general. Quando eles chegaram bem ao sul, encontraram um grande oceano que ia deles até a terra de Lanka. Eles não podiam achar nenhum meio para atravessar o oceano. Comandando os seus soldados a continuar onde estavam, Hanuman expandiu o seu corpo a proporções enormes, saltou a vasta expansão de água, e desceu na montanha Trikuta da qual poderia olhar para baixo e ver Lanka. Percebendo que a cidade era bem protegida, ele assumiu a forma de um gato, e, então, sem suspeitas, rastejou pelas barreiras e examinou a cidade. Ele achou Rāvana no seu apartamento, cercado por belas mulheres, mas Sita não estava entre elas. Continuando a busca, ele finalmente a achou, com a beleza escurecida pela aflição, sentada embaixo de uma árvore num belo arvoredo asoka, vigiado por horrorosos rakshasas com os rostos de búfalos, cachorros e suínos.

Assumindo a forma de um pequeno macaco, Hanuman rastejou debaixo da árvore, e, dando a ela o anel de Rama, pegou um anel dela. Ele se ofereceu para levá-la embora, mas Sita declarou que o próprio Rama deveria resgatá-la, e, como prova de tê-la encontrado, Sita deu a Hanuman uma jóia inestimável para levar ao Rama. Enquanto eles conversavam, Rāvana apareceu, e, após galantear sem resultados, anunciou que, se Sita não se rendesse a ele em dois meses, ele pediria para os seus guardas “cortarem os seus membros com aço” para o seu café da manhã.

Com raiva, Hanuman destruiu um mangueiral, foi capturado por guardas rakshasa e trazido a Rāvana. Hanuman proclamou que era um mensageiro de Rama e ordenou que Rāvana devolvesse Sita a Rama ou seria vítima da ira de Rama. Furioso ao ouvir as palavras de Hanuman, Rāvana ordenou que Hanuman fosse morto.

Vibhishana, o irmão íntegro de Rāvana, interveio e aconselhou Rāvana a seguir as escrituras, lembrando-lhe que é impróprio executar o mensageiro e disse-lhe exatamente a punição apropriada ao crime de Hanuman. Rāvana aceitou, e ordenou que os rakshasas colocassem fogo na cauda de Hanuman. Assim que isso foi feito, Hanuman se fez muito pequeno, deslizou dos seus laços e, pulando pelo teto, espalhou uma conflagração incendiária pela cidade de Lanka. Ele saltou de volta ao continente, levou as notícias do cativeiro de Sita a Rama e Sugriva e logo se comprometeu em preparações ativas para a campanha.

Batalha de Lanka

Rama decidiu que, como o oceano não tinha ponte, era impossível para qualquer um, exceto Hanuman, cruzá-lo. Rama meditou por treze dias sem comida ou água, até que, das águas apavoradas, surgiu Varuna, o deus do oceano. Varuna estava tão perplexo com a meditação de Rama por treze dias sem água ou comida por ser a imagem de Vixnu, a Trindade Hindu, um deus julgado mais alto que ele. Rama explicou filosoficamente que, como humano, ele deve realizar os deveres ou dharma de um humano para chamar Varuna. Então, Varuna prometeu a ele que, se Nila e Nala do seu exército construíssem uma ponte de qualquer tipo jogando qualquer material no oceano, as ondas e a superfície da água apoiariam os materiais tão firmemente quanto se tivesse sido construída na terra.

O terror reinou em Lanka às notícias da aproximação de Rama. Vibishana, irmão de Rāvana, abandonou Rāvana, por causa da raiva do demônio quando ele o aconselhou de fazer paz com Rama. Longas batalhas começaram, em que até os deuses participaram – Vixnu e Indra ao lado de Rama, e os espíritos do mal lutando com Rāvana.

Depois que a guerra já estava sendo lutada por algum tempo, com resultados variantes, e um grande número de tropas de ambos os lados foi morto, foi decidido que o vencedor seria determinado por um único combate entre Rāvana e Rama. Até os deuses se apavoraram com a batalha. A cada tiro, o poderoso arco de Rama cortou uma cabeça de Rāvana, que crescia de novo a cada vez, e o herói estava em desespero, até que Vibhishana lhe disse para mirar no umbigo de Rāvana. Rama mirou cuidadosamente, porque a fonte de “amrit“, ou o divino néctar que permite a regeneração das cabeças do Rāvana estava no umbigo. Subseqüentemente, Rama matou Rāvana usando a arma divina de Brahma, o ‘Brahmastra‘.

Quando Rāvana caiu por essa arma, flores reinaram do céu no satisfeito vencedor, e os seus ouvidos ficaram encantados com música celestial. Tocado pela aflição da viúva de Rāvana, Mandodari, Rama pediu que Vibhishan conduzisse o funeral na maneira merecida pelos reis.

Sita foi conduzida adiante, satisfeita por ter se reunido com o seu marido, mas a sua felicidade estava destinada a ter uma curta duração. Rama a recebeu com frieza e com olhos abatidos, dizendo que ela não mais poderia ser a sua esposa, depois de ter habitado a casa de Rāvana. Sita  assegurou sua inocência e castidade. Rama pede-lhe que se submeta a um Agni Pariksha (teste de fogo) para provar sua castidade, pois quer se livrar dos rumores que cercam sua pureza. Na contínua rejeição de Rama, ela ordenou que a sua pira funerária fosse construída, já que ela  preferia morrer no fogo do que viver desprezada por Rama.Quando Sita mergulha no fogo do sacrifício, Agni, o Senhor do fogo, levanta Sita, ilesa, ao trono, atestando sua inocência e ela foi bem-vinda por Rama, cujo comportamento ela logo perdoou.
Rama revelou a Lakshman por que a pira foi necessária: antes, durante o exílio, Rama já sabia que Rāvana iria sequestrar Sita. Se Rāvana tivesse tentado a tocar em Sita, a sua devoção ao  marido, a sua pureza, teria queimado as mãos de Rāvana. Portanto, quando Rama pediu que Sita se provasse com fogo, ele estava pedindo a Agni, o deus do fogo, que lhe devolvesse a sua Sita.

A conquista vencida, Rāvana derrotado e Sita recuperada, Rama retornou em triunfo a Ayodhya e assumiu o governo, para grande encanto de Bharata e do povo de Ayodhya.

Sita é banida

Ayodhya era próspera, o povo estava satisfeito, e, por um tempo, tudo ia bem. Não demorou, contudo, até que murmúrios a respeito da longa estadia de Sita em Lanka se espalhassem pela cidade e Rama ouvisse sussurros de que uma escassez no país foi devido à culpa de Sita, que tinha sofrido as carícias de Rāvana durante o cativeiro. Com a pressão dos cidadãos de Ayodhya, Rama a baniu para a floresta em que eles passaram juntos os anos de exílio.

Sem um murmúrio, a infeliz Sita foi-se para a floresta, e, arrasada com a aflição de corpo e espírito, encontrou o eremitério de Valmiki, em que deu à luz filhos gêmeos, Lava e Kusha. Aqui ela os criou, com a ajuda do ermitão, que foi o seu professor, e, sob esses cuidados, cresceram belos e fortes.

Aconteceu que, durante o tempo em que os jovens tinham vinte anos, Rama começou a pensar que os deuses estavam zangados com ele por ter matado Rāvana, que era o filho de um brâmane. Rama ficou determinado a os propiciar por meio de Ashvamedha, o grande sacrifício, em que ele fez com que um cavalo fosse solto na floresta. Quando os seus homens foram buscá-lo de volta, ao fim do ano, eles o encontraram pego por dois jovens fortes e belos que resistiram a todos os esforços para capturá-los. Quando os seus homens não puderam recapturar o cavalo, Rama foi à floresta pessoalmente, onde descobriu que os homens eram os seus filhos gêmeos, Lava e Kusha. Golpeado por remorso, Rama lembrou do sofrimento da sua esposa Sita, e, descobrindo que ela estava no eremitério de Valmiki, a chamou para vir com ele.

Sita teve tempo de se recuperar do amor da juventude, e o prospecto de vida com Rama não era completamente agradável para ela. Ela apelou à terra: se ela nunca amou nenhum homem se não Rama, se a sua verdade e pureza foram conhecidas pela terra, que abra o seu seio e a leve a ele. Enquanto as pessoas tremiam de terror, a terra se abriu, um belo trono apareceu, e a deusa da terra, sentada nele, levou Sita com ela e a carregou aos reinos da felicidade eterna, deixando as pessoas arrependidas tarde demais passarem os últimos anos em penitência.

Morais do Ramayana

No seu Ramayana, Valmiki expressa a sua visão do código de conduta humano através do Rama: a vida é evanescente, e a abordagem hedonística a ela não tem sentido. Contudo, isso não deve permitir que alguém seja indiferente aos próprios desejos e deveres escritos nos textos antigos. Ele então adota a visão de que Dharma é o que se proclama nos Vedas e deve ser seguido não por trazer dor ou prazer. Fazer isso assegurará o bem-estar de alguém nesse e no próximo mundo. Em adição, Ramayana também reforça a necessidade de pensar antes de fazer promessas, porque, se alguém as fizer, deverá mantê-las, não importa o quão difícil seja.

Sankshepa Ramayana, a breve narração da história inteira do Ramayana por Narada a Valmiki, forma o primeiro sarga do Ramayana de Valmiki. Narada lista as dezesseis qualidades do homem ideal e diz que Rama foi o homem completo que possuía todas essas dezesseis qualidades. Embora o próprio Rama declare que “ele não é mais que um homem”, e nunca uma vez diz ser divino, Rama é considerado pelos hindus um dos mais importantes Avatares do deus Vixnu e um homem ideal.

Valmiki retrata Rama não como um ser sobrenatural, mas como um humano com todas as falhas adicionais, que encontra dilemas morais mas que os supera simplesmente aderindo ao dharma—a forma correta. Há vários exemplos narrados no Ramayana de Valmiki que lançam sombras no caráter primitivo do herói e reenforçam o tema de Rama lutar com falhas mortais e preconceitos enquanto luta para seguir o caminho do dharma. Quando Rama mata Vali (ver Vali vadha para uma descrição detalhada do evento) para ajudar Sugriva a recuperar o trono, não foi um combate justo, porque Rama se escondia atrás de uma árvore.

Conceito Dharma-Artha-Kama no Ramayana

Os conceitos de Dharma, Artha, Kama (e Moksha) são conceitos hindus muito antigos. Eles também são conhecidos como Purusharthas. Tem dois exemplos prominentes de serem definidos no Ramayana. O primeiro foi quando Bharat foi à floresta (Chitrakoot) para ver Rama. Rama perguntou a ele se ele seguira as ordens do Dharma, Artha e Kaama corretamente. Por Rama, é definido como: Artha não deve interferir o Dharma e vice-versa. Similarmente, Karma não deve interferir nem com Dharma nem com Artha. Como Bharat já era educado, ele foi lembrado disso em palavras muito curtas. Mas Dharma aqui significa o dever e o bem-estar que um faz para a sociedade. Fazer bens, por exemplo, é parte do dharma de um rei. Arth significa salários. Como é perguntado por Rama: O rei tem de ver que há bastante renda de impostos, os salários dos empregados são dados em um momento determinado e o imposto não deve ser maior que 1/6 (16.6 %) da renda de uma pessoa. Kaama, aqui, significa prazer. À pessoa é permitido ter prazer, mas sem afetar os deveres e salários. O outro exemplo desse conceito está no Yudha Kanda. Aqui, Kumbhakarna, irmão de Rāvana, aconselha Rāvana a usar dharma na manhã, artha durante o dia e Kaama à noite. Ele diz então a Rāvana que ele (Rāvana) está ocupado com Kaama o tempo todo, e isso vai o levar à destruição. Interessantemente, um dos ministros de Rāvana, Mahodara,  xinga Kubhakarna e, para agradar seu mestre, diz que um rei pode aproveitar o Kaama sempre que quiser.

História textual

Tradicionalmente, o épico pertence ao Treta Yuga, uma das quatro eras da cronologia hindu e é atribuído ao Valmiki, um ativo participante da história.

É composto em sânscrito épico, uma variante mais antiga do sânscrito clássico, de forma que, em princípio, o núcleo da obra pode datar do século V a.C.E. Desde então em sua forma atual, após centenas de anos de transmissão através de recitações e em forma manuscrita, o épico sofreu várias variações: não pode ser datado por análise lingüística como um todo, e deve ser considerado como tendo emergido de um longo processo, desde o século V até o século I a.C.

Os eventos essenciais contados no épico podem bem ser de uma idade ainda maior, os nomes dos personagens, Rama, Sita, Dasharata, Janaka, Vasishta e Vishwamitra são todos conhecidos na literatura védica tal como os brâmanes, que são mais antigos que o Ramayana de Valmiki. Contudo, em nenhum lugar da poesia védica conhecida está uma história similar ao Ramayana de Valmiki. Brama, um dos personagens principais do Ramayana, e Vixnu, que, de acordo com o Bala Kanda, foi encarnado como o Rama, não são deidades védicas, e entram primeiro em proeminência com os épicos e adiante durante o período ‘Purânico’ do posterior primeiro milênio d.C. Há também uma versão do Ramayana, conhecida como Ramopakhyana, encontrada no épico Mahabharata. Essa versão, descrita como uma narração a Yudhishtra, é destituído de qualquer característica divina ao Rama.

Existe um consenso geral de que os livros dois a seis formam a porção mais antiga do épico, enquanto o primeiro livro, Bala Kanda, e o último, Uttara Kanda, são adições posteriores. O autor ou os autores do Bala Kanda e Ayodhya Kanda parecem estar familiarizados com a região oriental da bacia gangética do norte da Índia e as regiões Côssala e Mágada durante o período dos dezesseis janapadas, já que dados geográficos e geopolíticos estão de acordo com o que é conhecido sobre a região. Contudo, quando a história passa para o Aranya Kanda e além, parece se transformar abruptamente em fantasia, com o seu herói matador de demônios e criaturas fantásticas. A geografia do centro e do sul da Índia é cada vez mais vagamente descrita. O conhecimento da localização da ilha de Sri Lanka também tem poucos detalhes. Baseando a sua suposição nessas características, o historiador H.D. Sankalia propôs uma data do século IV a.C. para a composição do texto. A. L. Basham, contudo, sustenta a opinião de que Rama pode ter sido um chefe secundário que viveu no século VIII ou VII a.C.

Versões variantes

A estória épica de Ramayana foi adotada por várias culturas através da Ásia. Mostrada aqui está uma obra de arte histórica tailandesa descrevendo a batalha que aconteceu entre Rama e Rāvana.

Como é o caso com muitos épicos orais, múltiplas versões do Ramayana sobrevivem. Em particular, o Ramayana relacionado no norte da Índia difere em aspectos importantes daquele preservado no sul da Índia e no resto do sudeste asiático. Há uma extensa tradição de narração oral baseada no Ramayana na Tailândia, Camboja, Malásia, Laos, Vietnã, e Indonésia.

Em muitas versões malaias, dá-se a Lakshmana mais importância que a Rama, cujo personagem é considerado, de certa forma, fraco.

Dentro da Índia

Existem diversas versões regionais do Ramayana escritas por vários autores na Índia. Alguns deles diferem significantemente um do outro. Durante o décimo segundo século d.C., Kamban escreveu o Ramavatharam, conhecido popularmente como Kambaramayanam em tamil. Embora baseado no Ramayana de Valmiki, o Kambaramayanam é um verdadeiro clássico e é único no sentido de que Kamban modificou e reenterpretou muitas anedotas no Ramayana de Valmiki adaptar à cultura tamil e suas próprias ideias. O Ramayana de Valmiki inspirou o Sri Ramacharit Manas por Tulasidas em 1576, um épico Awadhi (um dialeto do hindi) com uma inclinação mais fundamentada em um reino diferente da literatura hindu, o do bhakti. É uma reconhecida obra-prima da Índia. É popularmente conhecido como Tulsi-krita Ramayana. O poeta gujarati Premanand escreveu uma versão do Ramayana no século XVII. Há também outras versões: uma versão bengali por Krittivas no século XIV, o Oriya de Balarama Das no século XVI, em marata por Sridhara no século XVIII, uma versão telugu por Ranganatha no século XV, um Ramayana Kannada pelo poeta Narahari do século XVI, Kotha Ramayana em assamês pelo poeta do século XIV Madhava Kandali e Adhyathma Ramayanam Kilippattu, uma versão malaiala por Thunchaththu Ezhuthachan no século XVI.

Existe um sub-enredo no Ramayana, prevalecente em algumas partes da Índia, que relata as aventuras de Ahi Rāvana e Mahi Rāvana, o irmão mau de Rāvana, que aumenta o papel de Hanuman na história. Hanuman resgata Rama e Lakshmana depois que são seqüestrados pelo Ahimahi Rāvana a pedido de Rāvana e mantidos como prisioneiros numa caverna subterrânea, prontos para serem sacrificados à deusa Kali.

Houve relatos de uma versão da história do Ramayana prevalecente entre os mappilas de Kerala. Essa versão, conhecida como Mappila Ramayana, forma uma parte do MappillapattuMappillapattu é um gênero de canto popular, popular entre os musims de Kerala e Lakshadweep. Sendo de origem muçulmana, o herói dessa história é um sultão. Não há grandes mudanças nos nomes dos personagens, exceto o nome de Rama, que é mudado para `Laman’. A linguagem e a imagem projetadas no Mappilapattu estão de acordo com o tecido social da antiga comunidade muçulmana.

Versões do sudeste asiático

Muitas outras culturas asiáticas adaptaram o Ramayana, resultando em outros épicos nacionais. Kakawin Rāmâyaṇa é uma antiga versão javanesa do Ramayana sânscrito do nono século, na Indonésia. É uma cópia fiel do épico hindu, com muito pouca variação. Phra Lak Phra Lam é uma versão em Lao, cujo título vem de Lakshmana e Rama. A história de Lakshmana e Rama é contada como a vida anterior de Buddha. Em Hikayat Seri Rama da Malásia, Dasharatha é o bisneto do profeta Adão. Rāvana recebe benefícios de Allah ao invés de Brama.[21] O épico nacional popular da Tailândia, Ramakien, é derivado do épico hindu. No Ramakien, Sita é a filha de Rāvana e Mandodari [T’os’akanth (=Dasakand) e Mont’o]. Vibhisana (P’ip’ek), o irmão astrólogo de Rāvana, prevê calamidade no horóscopo de Sita. Então, Rāvana a lança nas águas, que, mais tarde, é pega por Janaka (Janok). Enquanto a história principal é idêntica àquela do Ramayana, muitos outros aspectos foram transpostos em um contexto cultural tailandês, tal como as roupas, armas, topografia, e elementos da natureza, que são descritos como sendo tailandeses em estilo. Tem um papel estendido para Hanuman e é retratado como um personagem lascivo. Ramakien pode ser visto como uma ilustração elaborada no templo Wat Phra Kaew, em Bangcoque.

Outras adaptações do sudeste asiático incluem Ramakavaca de Bali, Maradia Lawana das Filipinas, o Reamker de Camboja e o Yama Zatdaw de Myanmar. Aspectos do épico chinês Jornada ao Oeste também foram inspirados pelo Ramayana, particularmente o personagem Sun Wukong, que se acredita ter sido baseado no Hanuman.

Versões contemporâneas

Versões contemporâneas do Ramayana incluem Sri Ramayana Darshanam por Dr. K. V. Puttappa (Kuvempu) em Kannada e Ramayana Kalpavrikshamu por Viswanatha Satyanarayana em telugu, ambos os quais ganharam o prêmio Jnanpith. O autor indiano moderno Ashok Banker escreveu até agora uma série de seis novelas em inglês baseadas no Ramayana. Em setembro de 2006, a primeira edição de Ramayan 3392 A.D. foi publicada por Virgin Comics, com o Ramayana como visto pelo autor Deepak Chopra e o diretor Shekhar Kapur. Em 2008, o longa de animação independente disponibilizado para free download Sita Sings The Blues da artista americana Nina Paley retomou o épico indiano, mesclando a narrativa do livro com fragmentos autobiográficos e músicas de Annette Hanshaw uma da primeiras cantoras de jazz nos anos 20.

Ramayana Centre

Em 2001, o parlamento de República de Maurício unanimemente elegeu o Ramayana Centre para disseminação dos valores perenes do Ramayana

नमो नमः
Namo Namah!

OM. O Verbo. Amém!


O significado de OM?

By Going Om Postado 4 de maio de 2017 In Insight

No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus“. É uma característica particularmente humana ter curiosidade sobre nossas origens e as origens do nosso universo. Como poderia tanto – a diversidade de nosso planeta, a vastidão do nosso sistema solar, o desconhecido atinge o espaço – vem do nada? As tradições espirituais de todo o mundo têm lidado com esta questão e reconheceram o papel profundo do Verbo Divino como as origens, o princípio, do universo. Se no início não houvesse nada, a primeira coisa era uma vibração sonora, e de lá tudo brotou e o mundo material nasceu. E a ciência ocidental agora está chegando a bordo também: os físicos quânticos têm estudado o papel da vibração na raiz da própria matéria.

E, a partir de uma perspectiva yóguica, existe uma conexão profunda entre a fala (a expressão dos nossos pensamentos) e o prana (a energia da vida carregada na respiração). Quando falamos, estamos nomeando nossa realidade, enquanto usamos o poder da respiração para formar e expressar nossas palavras. A fala é prana em ação. Prana, naturalmente, cria som.

Masaru Emoto, pesquisador japonês que explorou os efeitos do som de diferentes palavras na água, demonstrou o poder do nosso discurso e nossa intenção sobre a matéria que nos rodeia e dentro de nós. O potencial de vibração e intenção de som na criação de nossa realidade foi explorado em grande profundidade pelos yogues antigos, bem como em autores modernos como Esther Hicks. Os que curam com som usam cantar e tonificar para criar profunda transformação no corpo e na mente. Como entender tudo? Talvez o melhor lugar para começar seja no início.

As raízes culturais e históricas de OM

A sílaba OM é uma antiga letra sânscrita encontrada pela primeira vez nos Vedas, originada entre 1500 a 1200 aC. Uma coleção de hinos em sânscrito védico foi cantada em louvor do Divino. Eles não foram escritos no início, mas foram vibrados na existência usando o discurso humano. Os ensinamentos sobre a metafísica do OM foram posteriormente elaborados nos Upanishads, textos místicos indianos antigos. Mais tarde, os Yoga Sutras de Patanjali categorizaram os 8 membros do Yoga. O sexto destes, Dharana, que significa concentração, descreveu vários métodos de apoio à mente para alcançar uma atenção focalizada. Repetindo um mantra, e especialmente essa sílaba OM, era um aspecto importante para realizar esta sexta etapa do yoga, ou união com as origens Divinas. Anne Dyer, especialista em yoga de som, em uma entrevista com Rodney Yee, explica que Patanjali ensinou isso: “Cante Om e você alcançará seu objetivo. Se nada mais funcionar, basta cantar Om.”

Sree Devi Bringi, um erudito nas religiões orientais e estudos de yoga da Universidade de Naropa, afirma que o principal ensinamento do OM nesses textos antigos foi experimentar a percepção não dual, que também é objetivo de toda a prática de yoga.

O que é OM? O primordial mantra da sílaba semente

Sementes, ou bijas, são mantras de sílaba única da língua sânscrita. Existem oito sílabas de sementes shakti primordiais, incluindo OM.

David Frawley, em seu livro Mantra Yoga e Primal Sound, escreve: “Os mantras Shakti bija são provavelmente os mais importantes de todos os mantras, seja para meditação, adoração de deidades, prana energizante ou para fins de cura. Eles carregam as grandes forças da Natureza, como as energias do Sol e da Lua, do Fogo e da Água, eletricidade e magnetismo, não apenas como fatores externos, mas como potenciais internos da Luz Divina. Eles projetam vários aspectos da força e radiação para o corpo, a mente e a consciência. Eles mantêm, ressoam e propulsam a força Kundalini de maneiras específicas e transformadoras. Abaixo está uma tabela simples das principais energias (Shaktis) dos mantras Shakti “.

Energia prânica: Energia Om do som: Objetivo energia Solar; Energia Hrim lunar; Energia Shrim elétrica; Energia Krim magnética; Poder Klim do fogo; Poder Hum para parar; Poder Hlim para estabilizar; Poder Strim para transcender: Trim.

OM, a primeira dessas sílabas e carregando uma imensa energia de força prânica, é uma sílaba mística, considerada o mantra mais sagrado no Hinduísmo e no budismo tibetano. Aparece no início e no final da maioria das recitações, orações e textos sânscritos. Om Namah Sivaya é apenas um dos muitos exemplos em que o OM está incluído no início dentro de um mantra maior. Considerado representar o som primitivo ou primordial do Universo, o OM nos conecta e carrega o Divino em forma vibratória, tornando nossas orações e mantras mais efetivas com seu aumento de energia prânica.

Qual é o significado de OM?

Os mantras semente como OM não são palavras comuns com definições de dicionário. Esses mantras são mais sobre o conteúdo vibratório do que o significado. Frawley novamente: “Om é a Palavra de Deus“. O som OM é uma vibração a partir da qual todo o universo manifesto emana. Forma e criação provêm da vibração. OM é a vibração mais elementar. É o som do vazio. Frawley diz: “Om é o mantra principal do eu Superior, ou Atman. Ele nos harmoniza com nossa verdadeira natureza. É o som do criador, conservador e destruidor do universo, que também é o guru interno e principal professor. Ele reflete tanto o manifesto como não manifesto Brahman, sustentando a vibração do ser, a vida e a consciência em todos os mundos e em todas as criaturas”.

AUM – Criador, Preservador, Destruidor

OM é também escrito e pronunciado AUM, um prolongamento dos sons individuais contidos no OM. Cada uma das três letras e sons, corresponde a um aspecto diferente do divino. O primeiro som, A, invoca Brahma, o aspecto criativo. O som U invoca Vishnu, o conservador. E o som M, Shiva, representa o aspecto destrutivo de Deus. Então, os três sons nessa sílaba nos fazem lembrar esses três aspectos do Divino, sem os quais nada existe, tudo é sustentado, e todas as coisas se dissolvem de volta ao vazio. Depois que alguém canta AUM e levou esta jornada através da transformação do cosmos, é tradicional pausar e sentar em silêncio e experimentar esse vazio criativo, vibrando com aquela vibração primordial.

OM e Amén

De acordo com Paramahansa Yogananda, autor do texto clássico Autobiografia de um Yogi: “Om ou Aum dos Vedas tornou-se a palavra sagrada Hum dos tibetanos, Amin dos muçulmanos e Amén dos egípcios, gregos, romanos, judeus e cristãos”. A sílaba foi traduzida para diferentes idiomas, culturas e tradições religiosas, mas o poder criativo e transformador do som permanece o mesmo.

Na Bíblia, a palavra Amém está conectada ao início da criação do Universo: “Estas coisas dizem o Amém, o fiel e verdadeiro testemunho, o início da criação de Deus“.

Como aproveitar o poder de OM

Na tradição yóguica, o mantra é uma ferramenta poderosa para focar e acalmar a mente. Tente respirar profundamente e repita o som OM enquanto mantém sua consciência na coroa da sua cabeça ou no terceiro olho na testa. Ou repita OM, ou um mantra que incorpora OM, 108 vezes com a ajuda de uma mala (rosário). Chamado Japa Yoga, isso mantém a mente focada e infunde o corpo, mente e coração com as qualidades do mantra.

Na tradição de yoga Bhakti (devoção), cantar ou entoar os nomes de Deus abre o coração e traz um para um estado de bem-aventurança. Om Gam Ganapataye Namah invoca e elogia Ganesha, o deus da abundância e destruidor de obstáculos. Ao cantar OM antes do restante do mantra, alguém chama o poder da palavra e as origens primordiais do som.

O OM está mais associado ao 6º (ponto na testa) e 7º (topo da cabeça) chacras. Outras sílabas estão conectadas a cada um dos outros chacras. Tente cantar estes quando você se concentrar em cada chakra ou área do corpo:

LAM” – chakra 1 (raiz)

VAM” – chakra 2 (sacral/umbigo)

RAM” – chakra 3 (plexo solar)

YAM” – chakra 4 (coração)

HAM” – chakra 5 (garganta)

OM“- chakra 6 (terceiro olho/testa)

OM“- chakra 7 (coroa/topo da cabeça)

Finalmente, Anne Dyer sugere que, em nossa prática de cânticos, progredirmos de cantar OM em voz alta para sussurrar a sílaba. Isso está treinando a mente para se concentrar no sutil. Quando diminuímos o volume, devemos aumentar nossa atenção. Quando a mente está ouvindo atentamente, a mente não está ocupada pensando. No silêncio, podemos começar a ouvir a quietude, o som do vazio. Ouvir profundamente a quietude é uma prática meditativa profunda que nos conecta ao poder da criação e do divino.

No final, explorando a sílaba OM e o poder do som podem nos lembrar de tratar nossas palavras como sagradas, criativas e divinas. O que pensamos e dizemos, criamos. Somos criadores poderosos! Que nossas palavras, através do nosso uso consciente delas, recuperem seu poder transformador, e que o Divino fale através de nós, enquanto trazemos mais e mais consciência às vibrações que criamos com nossos pensamentos e palavras. Om Shanti.

Cortesia de Rachel Zelaya via GAIA.COM

नमो नमः
Namo Namah!

Hanuman, o humano se espiritualizando

Os seres humanos, fundamentalmente, são o mesmo ou, no mínimo, muito parecidos, em todos os entendimentos e enfrentamentos com o mundo real tridimensional em que vivemos relacionados com os demais mundos denominados “espirituais”.

Por exemplo: segundo a tradição ocidental, o deus Zeus dos gregos teve relacionamento íntimo com várias mulheres na mitologia grega, como Europa (Εὐρώπη), gerando filhos (Minos, Radamanto e Sarpedão).

Na mitologia cristã o Espírito Santo de Deus teve um relacionamento desse tipo com Maria, que daí gerou Jesus.

Hanuman, a divindade hindú com mandíbula de macaco, embora filho de Kesari, foi gerado após sua mãe Anjani ter sido tomada pelo deus do vento Vayú (वायु).

Numa interpretação simbólica sobre os mitos, com o iluminado conhecimento científico proporcionado pelos estudos de Darwin, podemos entender a lenda de Hanuman como a espiritualização do Ser Humano (o homem macaco, o pithecanthropus erectus, ancestral de todos nós humanos).

O resto é somente preconceito e intolerância de quem não entende e quer impedir o entendimento dos outros.

Ainda tem gente que detona Hanuman mas fica pedindo ao Espírito Santo, a Santo Expedito e tantos outros, auxílio em sua fé.

A fé, sim, a fé, é o verdadeiro motor que pode realizar todos nossos anseios.

Jay Hanuman
नमो नमः
Namo Namah!

A Enciclopédia Ilustrada do Hinduísmo e o Archive.org

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नमो नमः
Namo Namah

Ainda sobre o Chalisa para Hanuman

Esta é a tradução quase literal do poema de Gosvāmī Tulsīdās (गोस्वामी तुलसीदास), poeta e místico hindu do século XVI dC, que escreveu várias obras numa linguagem Indo-Ariana denominada Awadhi (अवधी), num estilo de tão grandeza poética não traduzível em outras linguagens.

Esta tradução para a língua portuguesa a partir  da tradução para o inglês realizada por Ram Rani é bastante literal, comparada com outras traduções impregnadas de interpretações que fogem às próprias palavras e imagens escritas no original por Tulsidas.

Para um melhor entendimento do poema “Hanuman Chalisa” é necessário conhecer o mundo e a mentalidade de seu criador, com as metáforas, metonímias e entendimentos de sua vivência em sua época. Melhor ainda é consultar a Enciclopédia Ilustrada do Hinduísmo, do inglês James Lochtefeld. Entretanto, para usufruir da essência de sua poética, seria necessário dominar também a linguagem Awadhi.

Para conhecer um pouco as palavras e os termos utilizados por Tulsidas nesta Chalisa dedicada a Hanuman, seu adorado mestre espiritual, num esforçado trabalho de Ram Rani, clique na imagem abaixo:

 

Hanuman Chalisa

Dohas

Tendo polido o espelho do meu coração com a poeira dos pés de lótus do meu Guru, eu canto a pura fama do melhor dos Raghus, que concede os quatro frutos da vida.
Sabendo ser este corpo desprovido de inteligência, eu evoco o Filho do Vento: conceda-me força, inteligência e sabedoria, e remova minhas tristezas e imperfeições.

Chalisa

  1. Vitória para Hanuman, oceano de sabedoria e virtude. Salve Senhor Macaco, iluminador dos três mundos.

  2. Emissário de Rama, a morada de poder incomparável, o filho de Anjani, chamado “Filho do Vento”.

  3. Grande herói, poderoso como um raio, removedor dos pensamentos malignos e companheiro para o bem.

  4. De cor dourada e esplendidamente adornado com pesados brincos e cabelos encaracolados.

  5. Nas suas mãos brilham a maça e o estandarte, um fio sagrado de grama munja adorna seu ombro.

  6. Você é o filho de Shiva e a alegria de Kesari, sua glória é reverenciada em todo o mundo.

  7. Supremamente sábio, virtuoso e inteligente, você está sempre com a intenção no trabalho de Rama.

  8. Você se deleita em ouvir os feitos do Senhor, Rama, Lakshman e Sita moram em seu coração.

  9. Assumindo forma minúscula você apareceu para Sita e com aparência impressionante você incendiou Lanka.

  10. Tomando uma forma terrível, você massacrou demônios e completou a missão do Senhor Rama.

  11. Trazendo a erva mágica, você reviveu Lakshman e Rama o abraçou com deleite.

  12. Com grandeza o Senhor Raghu louvou você: — “Irmão, você é tão querido para mim quanto Bharat!”

  13. — “Que a serpente de mil bocas cante sua fama!”. Assim dizendo, o Senhor Shri o atraiu para Si mesmo.

  14. Sanak e os sábios, Brahma, deuses e grandes santos, Narada, Sarasvati e o rei das serpentes,

  15. Yama, Kubera e os guardiões dos quadrantes, poetas e estudiosos,  nenhum é capaz de expressar sua glória.

  16. Você prestou um grande serviço para Sugriva, apresentando-o a Rama você lhe deu realeza.

  17. Vibhishana atendeu seu conselho e tornou-se Senhor de Lanka, como todo o mundo sabe.

  18. Embora o sol esteja a milhares de quilômetros de distância, você o engoliu, pensando que era uma fruta

  19. Levando o anel do Senhor em sua boca, não é nenhuma surpresa que você tenha pulado o oceano.

  20. Toda tarefa árdua neste mundo torna-se fácil pela sua graça.

  21. Você é o guardião da porta de Rama, ninguém entra sem sua permissão.

  22. Refugiando-se em você, encontra-se todo prazer, aqueles que você protege não conhecem o medo.

  23. Você sozinho pode suportar seu próprio esplendor, os três mundos tremem com seu rugido.

  24. Fantasmas e duendes maléficos não podem se aproximar, Grande Herói, quando o seu nome é pronunciado.

  25. Todas as enfermidades e sofrimentos são erradicados, bravo Hanuman, pela constante repetição do seu nome.

  26. Hanuman liberta da aflição aqueles que se lembrarem dele em pensamento, palavra e ação.

  27. Rama, o renunciante, reina sobre tudo,  você realiza todas as tarefas dele

  28. Aquele que traz qualquer anseio para você obtém o fruto da vida abundante.

  29. Seu esplendor enche as quatro eras, sua glória é afamada em todo o mundo.

  30. Você é o guardião de santos e sábios, o destruidor de demônios, o bem-amado de Rama

  31. Você concede os oito poderes e nove tesouros pela benção que você recebeu da Mãe Janaki.

  32. Você possui o elixir do nome de Rama e permanece eternamente Seu servo.

  33. Cantando seu louvor, encontra-se Rama e escapa-se das tristezas de incontáveis vidas.

  34. Na morte, vai-se para a própria cidade de Rama ou nasce na terra como devoto de Deus.

  35. Não se pense em nenhuma outra divindade, adorando Hanuman, ganha-se todo deleite.

  36. Toda a aflição cessa, toda a dor é removida, lembrando-se do poderoso herói, Hanuman.

  37. Vitória, vitória, vitória para o Senhor Hanuman! Seja misericordioso assim como é o Divino Mestre.

  38. Quem recita isto cem vezes é libertado da escravidão e ganha a bem-aventurança.

  39. Aquele que lê este Hanuman Chalisa ganha sucesso, o Senhor de Gauri testemunha.

  40. Diz Tulsidas, o constante servo de Hari: — “Senhor, faça o seu acampamento no meu coração”.

Doha

Filho do Vento, que bane a tristeza e personifica a bênção, permaneça no meu coração, Rei dos Deuses, juntamente com Rama, Lakshman e Sita.

 

॥दोहा॥

Dohas

श्रीगुरु चरन सरोज रज निज मनु मुकुरु सुधारि ।

बरनउँ रघुबर बिमल जसु जो दायकु फल चारि ॥

Shree Gu-ru cha-ra-na sa-ro-ja ra-já Ni-ja ma-nu mu-ku-ru sud-haa-ri

Ba-ra-naun Rag-hu-ba-ra bi-ma-la ja-su Jo daa-ya-ku pha-la chaa-ri

Tendo polido o espelho do meu coração com a poeira dos pés de lótus do meu Guru, eu canto a pura fama do melhor dos Raghus, que concede os quatro frutos da vida.

बुद्धिहीन तनु जानिके सुमिरौं पवन-कुमार ।

बल बुधि बिद्या देहु मोहिं हरहु कलेस बिकार ॥

Bud-hi hee-na ta-nu jaa-ni-ke Su-mi-raun pa-va-na ku-maa-ra

Ba-la bud-hi vid-yaa de-hu mo-hin Ha-ra-hu ka-le-sa bi-kaa-ra

Sabendo ser este corpo desprovido de inteligência, eu evoco o Filho do Vento: conceda-me força, inteligência e sabedoria, e remova minhas tristezas e imperfeições.

चालीसा

Chālīsā

जय हनुमान ज्ञान गुन सागर ।

जय कपीस तिहुँ लोक उजागर ॥१॥

01. Ja-ya Ha-nu-maa-na gyaa-na gu-na saa-ga-ra

Ja-ya Ka-pee-sha ti-hun lo-ka u-jaa-ga-ra

1. Vitória para Hanuman, oceano de sabedoria e virtude. Salve Senhor Macaco, iluminador dos três mundos.

राम दूत अतुलित बल धामा ।

अञ्जनि-पुत्र पवनसुत नामा ॥२॥

02. Raa-ma doo-ta a-tu-li-ta ba-la dhaa-maa

An-ja-ni pu-tra Pa-va-na-su-ta naa-maa

2. Emissário de Rama, a morada de poder incomparável, o filho de Anjani, chamado “Filho do Vento”.

महाबीर बिक्रम बजरङ्गी ।

कुमति निवार सुमति के सङ्गी ॥३॥

03. Ma-haa-bee-ra bi-kra-ma ba-ja-ran-gee

Ku-ma-ti ni-vaa-ra su-ma-ti ke san-gee

3. Grande herói, poderoso como um raio, removedor de pensamentos malignos e companheiro para o bem.

कञ्चन बरन बिराज सुबेसा ।

कानन कुण्डल कुञ्चित केसा ॥४॥

04. Kan-cha-na ba-ra-na bi-raa-ja su-be-saa

Kaa-na-na kun-da-la kun-chi-ta ke-saa

4. De cor dourada e esplendidamente adornado com pesados brincos e cabelos encaracolados.

हाथ बज्र औ ध्वजा बिराजै ।

काँधे मूँज जनेउ साजै ॥५॥

05. Haa-tha baj-ra au-ra dva-jaa bi-raa-jai

Kaan-dhe moon-ja ja-neu saa-jai

5. Nas suas mãos brilham a maça e o estandarte, um fio sagrado de grama munja adorna seu ombro.

सङ्कर सुवन केसरीनन्दन ।

तेज प्रताप महा जग बन्दन ॥६॥

06. Shan-ka-ra su-va-na Ke-sa-ree nan-da-na

Te-ja pra-taa-pa ma-haa ja-ga ban-da-na

6. Você é o filho de Shiva e a alegria de Kesari, sua glória é reverenciada em todo o mundo.

बिद्यावान गुनी अति चातुर ।

राम काज करिबे को आतुर ॥७॥

07. Vi-dyaa vaa-na gun-ee at-i chaa-tu-ra

Raa-ma kaa-ja ka-ri-be ko aa-tu-ra

7. Supremamente sábio, virtuoso e inteligente, você está sempre com a intenção no trabalho de Rama.

प्रभु चरित्र सुनिबे को रसिया ।

राम लखन सीता मन बसिया ॥८॥

08. Prab-hu cha-ri-tra su-ni-be ko ra-si-yaa

Raa-ma Lak-ha-na See-taa ma-na ba-si-yaa

8. Você se deleita em ouvir os feitos do Senhor, Rama, Lakshman e Sita moram em seu coração.

सूक्ष्म रूप धरि सियहिं दिखावा ।

बिकट रूप धरि लङ्क जरावा ॥९॥

09. Sooksh-ma roo-pa dha-ri Si-ya-hin di-khaa-vaa

Bi-ka-ta roo-pa dha-ri Lan-ka ja-raa-waa

9. Assumindo forma minúscula você apareceu para Sita e com aparência impressionante você incendiou Lanka.

भीम रूप धरि असुर सँहारे ।

रामचन्द्र के काज सँवारे ॥१०॥

10. Bhee-ma roo-pa dha-ri a-su-ra san-ghaa-re

Raa-ma-chan-dra ke kaa-ja san-vaa-re

10. Tomando uma forma terrível, você massacrou demônios e completou a missão do Senhor Rama.

लाय सञ्जीवन लखन जियाये ।

श्रीरघुबीर हरषि उर लाये ॥११॥

11. Laa-ya sa-jee-va-na Lak-ha-na ji-yaa-ye

Shree Rag-hu-bee-ra ha-ra-shi u-ra laa-ye

11. Trazendo a erva mágica, você reviveu Lakshman e Rama o abraçou com deleite.

रघुपति कीह्नी बहुत बड़ाई ।

तुम मम प्रिय भरतहि सम भाई ॥१२॥

12. Rag-hu-pa-ti keen-hee ba-hu-ta ba-raa-i

Tu-ma ma-ma pri-ya Bha-ra-ta-hi sa-ma bhaa-i

12. Com grandeza o Senhor Raghu louvou você: — “Irmão, você é tão querido para mim quanto Bharat!”

सहस बदन तुह्मारो जस गावैं ।

अस कहि श्रीपति कण्ठ लगावैं ॥१३॥

13. Sa-ha-sa ba-da-na tum-ha-ro ja-sa gaa-vai

A-sa ka-hi Shree-pa-ti kan-tha la-gaa-vai

13. — “Que a serpente de mil bocas cante sua fama!”. Assim dizendo, o Senhor de Shri o atraiu para Si mesmo.

सनकादिक ब्रह्मादि मुनीसा ।

नारद सारद सहित अहीसा ॥१४॥

14. Sa-na-kaa-di-ka Brah-maa-di mu-nee-saa

Naa-ra-da Saa-ra-da sa-hi-ta A-hee-saa

14. Sanak e os sábios, Brahma, deuses e grandes santos, Narada, Sarasvati e o rei das serpentes,

जम कुबेर दिगपाल जहाँ ते ।

कबि कोबिद कहि सके कहाँ ते ॥१५॥

15. Ya-ma Ku-be-ra di-ga-paa-la ja-haan-te

Ka-bi ko-bi-da ka-hi sa-ke ka-haan-te

15. Yama, Kubera e os guardiões dos quadrantes, poetas e estudiosos,  nenhum é capaz de expressar sua glória.

तुम उपकार सुग्रीवहिं कीह्ना ।

राम मिलाय राज पद दीह्ना ॥१६॥

16. Tu-ma u-pa-kaa-ra Su-gree-va-hin keen-haa

Raa-ma mi-laa-ya raa-ja pa-da deen-haa

16. Você prestou um grande serviço para Sugriva, apresentando-o a Rama você lhe deu realeza.

तुह्मरो मन्त्र बिभीषन माना ।

लङ्केस्वर भए सब जग जाना ॥१७॥

17. Tum-ha-ro man-tra Vi-bhee-sha-na maa-naa

Lan-ke-sh-va-ra bha-ye sa-ba ja-ga jaa-naa

17. Vibhishana atendeu seu conselho e tornou-se Senhor de Lanka, como todo o mundo sabe.

जुग सहस्र जोजन पर भानु ।

लील्यो ताहि मधुर फल जानू ॥१८॥

18. Yu-ga sa-ha-sra yo-ja-na pa-ra bhaa-nu

Leel-yo taa-hi ma-dhu-ra pha-la jaa-nu

18. Embora o sol esteja a milhares de quilômetros de distância, você o engoliu, pensando que era uma fruta doce*.

प्रभु मुद्रिका मेलि मुख माहीं ।

जलधि लाँघि गये अचरज नाहीं ॥१९॥

19. Prab-hu mu-dri-kaa me-li muk-ha maa-heen

Ja-lad-hi laan-ghi ga-ye a-cha-ra-ja naa-heen

19. Levando o anel do Senhor em sua boca, não é nenhuma surpresa que você tenha pulado o oceano.

दुर्गम काज जगत के जेते ।

सुगम अनुग्रह तुह्मरे तेते ॥२०॥

20. Dur-ga-ma kaa-ja ja-ga-ta ke je-te

Su-ga-ma a-nu-gra-ha tum-ha-re te-te

20. Toda tarefa árdua neste mundo torna-se fácil pela sua graça.

राम दुआरे तुम रखवारे ।

होत न आज्ञा बिनु पैसारे ॥२१॥

21. Raa-ma du-aa-re tu-ma rak-ha-vaa-re

Ho-ta na aa-gyaa bi-nu pai-saa-re

21. Você é o guardião da porta de Rama, ninguém entra sem sua permissão.

सब सुख लहै तुह्मारी सरना ।

तुम रच्छक काहू को डर ना ॥२२॥

22. Sa-ba suk-ha la-hai tum-haa-ree sha-ra-naa

Tu-ma rak-sha-ka kaa-hu ko da-ra-naa

22. Refugiando-se em você, encontra-se todo prazer, aqueles que você protege não conhecem o medo.

आपन तेज सह्मारो आपै ।

तीनों लोक हाँक तें काँपै ॥२३॥

23. Aa-pa-na te-ja sam-haa-rau aa-pai

Tee-non lo-ka haan-ka ten kaan-pai

23. Você sozinho pode suportar seu próprio esplendor, os três mundos tremem com seu rugido.

भूत पिसाच निकट नहिं आवै ।

महाबीर जब नाम सुनावै ॥२४॥

24. Bhoo-ta pis-haa-cha ni-ka-ta na-hin aa-vai

Ma-haa-bee-ra ja-ba naa-ma su-naa-vai

24. Fantasmas e duendes maléficos não podem se aproximar, Grande Herói, quando o seu nome é pronunciado.

नासै रोग हरै सब पीरा ।

जपत निरन्तर हनुमत बीरा ॥२५॥

25. Naa-sai ro-ga ha-re sa-ba pee-raa

Ja-pa-ta ni-ran-ta-ra Ha-nu-mat-a bee-raa

25. Todas as enfermidades e sofrimentos são erradicados, bravo Hanuman, pela constante repetição do seu nome.

सङ्कट तें हनुमान छुड़ावै ।

मन क्रम बचन ध्यान जो लावै ॥२६॥

26. San-ka-ta ten Ha-nu-maa-na chu-raa-vai

Ma-na kra-ma ba-cha-na dhyaa-na jo laa-vai

26. Hanuman liberta da aflição aqueles que se lembrarem dele em pensamento, palavra e ação.

सब पर राम तपस्वी राजा ।

तिन के काज सकल तुम साजा ॥२७॥

27. Sab pa-ra Raa-ma ta-pas-vee raa-jaa

Ti-na ke kaa-ja sa-ka-la tu-ma saa-jaa

27. Rama, o renunciante, reina sobre tudo,  você realiza todas as tarefas dele.

और मनोरथ जो कोई लावै ।

सोई अमित जीवन फल पावै ॥२८॥

28. Au-ra ma-no-ra-tha jo ko-ee laa-ve

So-ee a-mi-ta jee-va-na pha-la paa-ve

28. Aquele que traz qualquer anseio para você obtém o fruto da vida abundante.

चारों जुग परताप तुह्मारा ।

है परसिद्ध जगत उजियारा ॥२९॥

29. Chaa-ron yu-ga pa-ra-taa-pa tum-haa-raa

Hai pa-ra-sid-ha ja-ga-ta u-ji-yaa-raa

29. Seu esplendor enche as quatro eras, sua glória é afamada em todo o mundo.

साधु सन्त के तुम रखवारे ।

असुर निकन्दन राम दुलारे ॥३०॥

30. Saa-dhu san-ta ke tu-ma rak-ha-vaa-re

A-su-ra ni-kan-da-na Raa-ma du-laa-re

30. Você é o guardião de santos e sábios, o destruidor de demônios, o bem-amado de Ram.

अष्टसिद्धि नौ निधि के दाता ।

अस बर दीन जानकी माता ॥३१॥

31. Ash-ta sid-hi nau nid-hi ke daa-taa

As-a ba-ra dee-na Jaa-na-kee Maa-taa

31. Você concede os oito poderes e nove tesouros pela benção que você recebeu da Mãe Janaki.

राम रसायन तुह्मरे पासा ।

सदा रहो रघुपति के दासा ॥३२॥

32. Raa-ma ra-saa-ya-na toom-ha-re paa-saa

Sa-daa ra-ho Ra-ghu-pa-ti ke daa-saa

32. Você possui o elixir do nome de Rama e permanece eternamente Seu servo.

तुह्मरे भजन राम को पावै ।

जनम जनम के दुख बिसरावै ॥३३॥

33. Tum-ha-re bha-ja-na Raa-ma ko paa-vai

Ja-na-ma ja-na-ma ke duk-ha bi-sa-ra-vai

33. Cantando seu louvor, encontra-se Rama e escapa-se das tristezas de incontáveis vidas.

अन्त काल रघुबर पुर जाई ।

जहाँ जन्म हरिभक्त कहाई ॥३४॥

34. An-ta kaa-la Rag-hu-ba-ra pu-ra jaa-ee

Ja-haan jan-ma Ha-ri bhak-ta ka-haa-ee

34. Na morte, vai-se para a própria cidade de Rama ou nasce na terra como devoto de Deus.

और देवता चित्त न धरई ।

हनुमत सेइ सर्ब सुख करई ॥३५॥

35. Au-ra de-va-taa chi-ta na dha-ra-ee

Ha-nu-ma-ta se-ee sar-va suk-ha ka-ra-ee

35. Não se pense em nenhuma outra divindade, adorando Hanuman, ganha-se todo deleite.

सङ्कट कटै मिटै सब पीरा ।

जो सुमिरै हनुमत बलबीरा ॥३६॥

36. San-ka-ta ka-tai mi-te sa-ba pee-raa

Jo su-mi-re Ha-nu-ma-ta ba-la bee-raa

36. Toda a aflição cessa, toda a dor é removida, lembrando-se do poderoso herói, Hanuman.

जय जय जय हनुमान गोसाईं ।

कृपा करहु गुरुदेव की नाईं ॥३७॥

37. Jai Jai Jai Ha-nu-maa-na Go-saa-ee

Kri-paa ka-ra-hu gu-ru-de-va kee naa-ee

37. Vitória, vitória, vitória para o Senhor Hanuman! Seja misericordioso assim como é o Divino Mestre.

जो सत बार पाठ कर कोई ।

छूटहि बन्दि महा सुख होई ॥३८॥

38. Jo sa-ta baa-ra paa-ta ka-ra ko-ee

Choo ta-hi ban-di ma-haa suk-ha ho-ee

38. Quem recita isto cem vezes é libertado da escravidão e ganha a bem-aventurança.

जो यह पढ़ै हनुमान चालीसा ।

होय सिद्धि साखी गौरीसा ॥३९॥

39. Jo ya-ha pa-rai Ha-nu-maa-na chaa-lee-saa

Ho ya sid-hi saa-khee Gau-ree-saa

39. Aquele que lê este Hanuman Chalisa ganha sucesso, o Senhor de Gauri testemunha.

तुलसीदास सदा हरि चेरा ।

कीजै नाथ हृदय महँ डेरा ॥४०॥

40. Tu-la-see-daa-sa sa-daa Ha-ri che-raa

Kee je naa -ta hri-da-ya ma-han de-raa

40. Diz Tulsidas, o constante servo de Hari: — “Senhor, faça o seu acampamento no meu coração”.

॥दोहा॥

Doha

पवनतनय सङ्कट हरन मङ्गल मूरति रूप ।

राम लखन सीता सहित हृदय बसहु सुर भूप ॥

Pa-va-na ta-na-ya san-ka-ta ha-ra-na man-ga-la moo-ra-ti roo-pa

Raa-ma Lak-kha-na See-taa sa-hi-ta hri-da-ya ba-sa-hu su-ra bhoo-pa

Filho do Vento, banidor da tristeza e personificação da bênção, permaneça no meu coração, Rei dos Deuses, juntamente com Rama, Lakshman e Sita

Si-yaa va-ra Raa-ma-chan-dra pa-da jai sha-ra-nam

 

नमो नमः
Namo Namah!

Hanuman Chalisa

Namaskār ou namastē (नमस्ते), é uma forma de saudação hindu. É quando a Alma de uma pessoa reconhece e presta reverência à Alma de outra.

Hanuman Chalisa é uma stotra (gênero literário de fundamento devocional projetado para ser cantado melodicamente) atribuída ao poeta hindu Goswami Tulsidas (1497dC/1543dC–>1623dC) e dedicada a Hanuman.

Hanuman é uma divindade mitológica do panteão hindu, personagem épica do Mahabáratha e principalmente do Ramayna, detentora de altas qualidades de força, coragem, sabedoria, celibato, abnegação e ardente devoção. É o devoto exemplar, idolatrado por milhões de devotos, principalmente nas camadas populares.

Chalisa é uma composição poética estruturada com 40 estrofes de 2 versos (a palavra “Chalisa” é derivada de “chālis” em hindi, que significa 40). A Hanuman Chalisa contém ainda pares de versos independentes chamados “dohas” antes e depois da chalisa propriamente dita.

A versão a seguir está publicada na escrita alfabeto-silábica hindu denominada devanāgarī, na transliteração fonética inglesa para o alfabeto latino denominada hunteriana e na língua portuguesa traduzida da versão inglesa publicada na Wikipedia a partir de traduções dos estudiosos da Gita Press, de Cheeni Rao, de Pandit Vijay Shankar Mehta e de Jagadguru Rambhadracharya.

Por exemplo:
Devanágari: हनुमान चालीसा
Hunteriano: hanumāna chālīsā
Português: Chalisa de/para Hanuman

Dohas introdutórios

श्रीगुरु चरन सरोज रज निज मन मुकुर सुधारि।
बरनउँ रघुबर बिमल जसु जो दायकु फल चारि॥
shrīguru charana saroja raja nija mana mukuru sudhāri।
baranau raghubara bimala jasu jo dāyaku phala chāri॥

Limpando o espelho na forma da minha mente com o pólen dos pés de lótus do Guru, descrevo a glória sem mácula de Rama, que confere os quatro frutos.
A tradução do Gita Press interpreta os quatro frutos como os quatro Puruṣārthas: Dharma, Artha, Kāma e Mokṣa. Rambhadracharya comenta que os quatro frutos referem-se a qualquer um dos seguintes:
1.  Os quatro Puruṣārthas: Dharma, Artha, Kāma, Mokṣa
2.  Os quatro tipos de Mukti: Sālokya, Sāmīpya, Sāyujya, Sārūpya
3.  Dharma, Jñāna, Yoga, Japa

बुद्धिहीन तनु जानिकै सुमिरौं पवनकुमार।
बल बुधि बिद्या देहु मोहिं हरहु कलेस बिकार॥
buddhihīna tanu jānikai sumirau pavanakumāra।
bala budhi bidyā dehu mohi harahu kalesa bikāra॥

Sabendo que meu corpo está desprovido de inteligência, lembro-me de Hanuman, filho de Vāyu. Dê-me força, inteligência e conhecimento e remova todas as doenças (kalesa) e impurezas (bikāra).
O Gita Press interpreta kalesa como doenças corporais e bikāra como doenças mentais. Rambhadracharya comenta que kalesa (sânscrito kleśa) se refere às cinco aflições (Avidyā, Asmitā, Rāga, Dveṣa e Abhiniveśa) como descrito nos Yoga Sutras, e bikāra (Sanskrit vikāra) refere-se às seis impurezas da mente (Kāma, Krodha , Lobha, Moha, Mada e Mātsarya). Rambhadracharya acrescenta que estas cinco aflições e seis impurezas são os onze inimigos, e Hanuman é capaz de removê-los visto que ele é a encarnação dos onze Rudras.

O Chalisa

जय हनुमान ज्ञान गुन सागर।
जय कपीस तिहुँ लोक उजागर॥ १ ॥
jaya hanumāna gyāna guna sāgara।
jaya kapīsa tihu loka ujāgara॥ 1 ॥

Hanuman, o oceano de conhecimento e de virtudes, que você possa ser vitorioso. O chefe entre Vanaras famoso entre os três Lokas [Pātāla, Prithvi (terra) e Svarga], que você possa ser vitorioso.
Rambhadracharya comenta que Hanuman é chamado oceano de sabedoria por Tulsidas assim como o Ramayana de Valmiki o descreve como quem conhece os três Vedas (Ṛigveda, Yajurveda e Sāmaveda) e a Vyākaraṇa.

राम दूत अतुलित बल धामा।
अंजनि पुत्र पवनसुत नामा॥ २ ॥
rāma dūta atulita bala dhāmā।
anjani putra pavanasuta nāmā॥ 2 ॥

Você é o mensageiro de confiança de Rama e você é a morada de uma força incomparável. Você é conhecido pelos nomes de Anjaniputra (filho de Anjana) e Pavanasuta (filho de Vāyu).
Hanuman é chamado Anjaniputra porque ele nasceu do ventre de Anjana, que era uma Apsara com o nome de Puñjikasthalā que nasceu como uma Vanara pela maldição de Agastya. Hanuman é chamado Pavanasuta desde que Vāyu levou o poder divino de Shiva para dentro do útero de Anjana, e desde então o Ramayana de Valmiki chama Hanuman como o próprio filho de Vāyu (mārutasyaurasaḥ putraḥ).

महावीर विक्रम बजरंगी।
कुमति निवार सुमति के संगी॥ ३ ॥
mahāvīra vikrama bajarangī।
kumati nivāra sumati ke sangī॥ 3 ॥

Você é o grande herói, você é dotado de valor, seu corpo é tão forte quanto o Vajra de Indra. Você é o destruidor do intelecto vil e você é o companheiro daquele cujo intelecto é puro.
Rambhadracharya explica que a palavra bajarangī vem do sânscrito Vajrāṅgī e dá dois significados da palavra bikrama com base na raiz kram em sânscrito e uso da forma verbal vikramasva no Ramayana de Valmiki –
1. Hanuman é dotado de progressão especial da sādhanā (penitência).
2. Hanuman é dotado do poder especial de passar sobre ou através, ou seja, da travessia do oceano

कंचन बरन बिराज सुबेसा।
कानन कुंडल कुंचित केसा॥ ४ ॥
kanchana barana birāja subesā।
kānana kundala kunchita kesā॥ 4 ॥

Sua tez é aquela de ouro fundido e você é resplandecente em sua forma bonita. Você usa Kundalas (pequenos brincos usados nos tempos antigos pelos hindus) nas suas orelhas e seu cabelo é encaracolado.
Observando que no Ramcharitmanas Tulsidas chama Hanuman como Subeṣa (alguém com uma forma bonita), Rambhadracharya comenta que este verso descreve a forma de Hanuman quando ele tomou a aparência de um brâmane, o que acontece três vezes nos Ramcharitmanas.

हाथ बज्र औ ध्वजा बिराजै।
काँधे मूँज जनेऊ साजै॥ ५ ॥
hātha bajra au dhvajā birājai।
kādhe mūnja janeū sājai॥ 5 ॥

Você tem o Vajra e a bandeira nas suas mãos e o fio sagrado (Yajnopavita) feito da grama Munja adorna seu ombro.
Rambhadracharya dá dois significados para a primeira metade da estrofe –
1. A bandeira significando a vitória de Rama brilha na Vrajra de Hanuman, como mão poderosa
2. A Vraja – como poderoso Gadā e a bandeira da vitória de Rama brilham nas mãos de Hanuman
Ele também dá a leitura variante de chhājai (छाजै) ao invés de sājai (साजै) na segunda metade.

शंकर सुवन केसरी नंदन।
तेज प्रताप महा जग बंदन॥ ६ ॥
shankara suvana kesarī nandana।
teja pratāpa mahā jaga bandana॥ 6 ॥

Ó filho de Shiva (ou filho de Vāyu carregando o poder de Shiva), o encantador de Kesari, sua aura e majestade são grandes e veneradas pelo mundo inteiro.
Rao e Mehta explicam a primeira metade quando Hanuman é filho de Kesari e Shiva. Rambhadracharya dá duas variantes de leitura para a primeira parte:
1. shankara svayam, na qual é explicado como Hanuman é Shiva em si mesmo, como Vāyu carregou o poder de Shiva em si mesmo para o útero de Anjana, do qual Hanuman nasceu. Tulsidas menciona Hanuman como um Avatar de Shiva no Vinayapatrika.
2. shankara suvana, a qual explica como Hanuman é o filho de Vāyu, que é uma das oito manifestações de Shiva conforme Kalidasa. Uma explicação alternativa é que a palavra suvana é usada no sentido de Aṃśa conforme a narrativa purânica de Vāyu transportando o poder de Shiva para o útero de Anjana.
Rambhadracharya explica kesarī nandana como o filho Kṣetraja de Kesari, que é um dos doze tipos de descendências reconhecidos na antiga lei hindu.

विद्यावान गुनी अति चातुर।
राम काज करिबे को आतुर॥ ७ ॥
vidyāvāna gunī ati chātura।
rāma kāja karibe ko ātura॥ 7 ॥

Você é a digna morada dos dezoito tipos de Vidyā (conhecimento), todas as virtudes residem em você e você é extraordinariamente inteligente. Você está sempre ansioso para executar tarefas para Rama.

प्रभु चरित्र सुनिबे को रसिया।
राम लखन सीता मन बसिया॥ ८ ॥
prabhu charitra sunibe ko rasiyā।
rāma lakhana sītā mana basiyā॥ 8 ॥

Você se deleita em escutar os feitos de Rama (Ramayana). Rama, Lakshmana e Sita residem em sua mente. Alternativamente, você reside nas mentes de Rama, Lakshmana e Sita [devido ao afeto deles em relação a você].

सूक्ष्म रूप धरी सियहिं दिखावा।
बिकट रूप धरि लंक जरावा॥ ९ ॥
sūkshma rūpa dhari siyahi dikhāvā।
bikata rūpa dhari lanka jarāvā॥ 9 ॥

Você assumiu uma forma extremamente minúscula e apareceu para Sita no Ashok Vatika. Você assumiu uma forma muito grande e assustadora e incendiou a cidade de Lanka.

भीम रूप धरि असुर सँहारे।
रामचन्द्र के काज सँवारे॥ १० ॥
bhīma rūpa dhari asura sahāre।
rāmachandra ke kāja savāre॥ 10 ॥

Você assumiu uma forma amedrontadora e destruiu os demônios [no exército de Ravana]. Você executou todas as tarefas de Rama.
Rambhadracharya comenta que a palavra bhīma é uma alusão ao evento no Mahabharata quando Hanuman mostrou a mesma forma assustadora para Bhima.

लाय सँजीवनि लखन जियाए।
श्रीरघुबीर हरषि उर लाए॥ ११ ॥
lāya sajīvani lakhana jiyāe।
shrī raghubīra harashi ura lāe॥ 11 ॥

Você trouxe o Sanjivini, a erva salvadora de vida de Dronagiri no Himalaia e revitalizou Lakshman. Por júbilo, Rama abraçou você.

रघुपति कीन्हीं बहुत बड़ाई।
तुम मम प्रिय भरतहि सम भाई॥ १२ ॥
raghupati kīnhī bahut barāī।
tuma mama priya bharatahi sama bhāī॥ 12 ॥

Rama, o chefe entre os descendentes de Raghu, louvou você profusamente dizendo: “Você é querido para mim como meu irmão Bharata”.
Rambhadracharya associa o termo bhāī com bharata. Em contraste, Rao e Mehta interpretam a segunda metade como Rama disse que você (Hanuman) é meu querido irmão, como Bharata.

सहस बदन तुम्हरो जस गावैं।
अस कहि श्रीपति कंठ लगावैं॥ १३ ॥
sahasa badana tumharo jasa gāvai।
asa kahi shrīpati kantha lagāvai॥ 13 ॥

A tradução de Rao e Mehta: Rama também acrescentou que mil pessoas irão louvar a glória de Hanuman e o abraçou novamente.
Rambhadracharya interpreta sahasa badana como a serpente Shesha com mil cabeças. Sua tradução é: a serpente Shesha, que tem mil bocas, canta e vai cantar a sua glória, dizendo assim Rama abraça Hanuman repetidas vezes.

सनकादिक ब्रह्मादि मुनीसा।
नारद सारद सहित अहीसा॥ १४ ॥
जम कुबेर दिक्पाल जहाँ ते।
कबी कोबिद कहि सकैं कहाँ ते॥ १५ ॥
sanakādika brahmādi munīsā।
nārada sārada sahita ahīsā॥ 14 ॥
jama kubera dikpāla jahā te।
kabi kobida kahi sakai kahā te॥ 15 ॥

Rao e Mehta traduzem os dois versos, como: Santos como Sanka, Bramha, Munisa, Narad, Sarad, Sahit e Ahisa abençoaram Hanuman; Yama (Deus da morte), Kubera (Deus da riqueza), Dikpala (deuses de oito direções), Kavis (poetas), Kovidas (cantores populares) não podem descrever a reputação de Hanuman. Rambhadracharya associa o verbo gāvai na estrofe 13 com a estrofe 14 e a primeira metade da estrofe 15 também, interpreta ahīsā como significando/representando ambos Shiva e Vishnu e kovida como alguém que conhece Vedas. Sua tradução diz: Os Rishis celibatários como Sanaka, os Devatas como Brahma, Narada os melhores entre Munis (sábios), Saraswati com Shiva e Vishnu, os oito Dikpalas, incluindo Yama e Kubera, todos esses cantarão a sua glória. Até que ponto podem os mortais poetas e estudiosos dos Vedas falar sobre a sua infinita glória?

तुम उपकार सुग्रीवहिं कीन्हा।
राम मिलाय राजपद दीन्हा॥ १६ ॥
tuma upakāra sugrīvahi kīnhā।
rāam milāya rājapada dīnhā॥ 16 ॥

Você fez um grande favor a Sugriva, fazendo-o encontrar Rama e lhe concedendo o reino de Kishkindha.

तुम्हरो मन्त्र बिभीषन माना।
लंकेश्वर भए सब जग जाना॥ १७ ॥
tumharo mantra bibhīshana mānā।
lankeshvara bhae saba jaga jānā॥ 17 ॥

Seu Mantra foi aceito por Vibishana, como resultado do qual ele se tornou o rei de Lanka. O mundo inteiro sabe disso.

जुग सहस्र जोजन पर भानू।
लील्यो ताहि मधुर फल जानू॥ १८ ॥
juga sahasra jojana para bhānū।
līlyo tāhi madhura phala jānū॥ 18 ॥

O Surya, sol situado {1 Yug = 12.000 anos, 1 Sahastra = 1.000, 1 Yojan = 8 Milhas, (Yug x Sahastra x Yojan) = 12.000×1.000×8 milhas = 96.000.000 milhas (1 milha = 1,6 km) 96.000.000 milhas = 96.000.000 X1,6 km = 153.600.000 km} 153.600.000 km da terra, foi engolido por você depois que você supôs que ele era uma fruta doce.
Embora Hanuman não acabe engolindo o Surya no Ramayana de Valmiki, a história é referida por Tulsidas no Vinayapatrika. Rambhadracharya atribui as diferenças na narração por Valmiki e Tulsidas à diferença no Kalpas.

प्रभु मुद्रिका मेलि मुख माहीं।
जलधि लाँघि गये अचरज नाहीं॥ १९ ॥
prabhu mudrikā meli mukha māhī।
jaladhi lāghi gaye acharaja nāhī॥ 19 ॥

Ó Senhor, colocando o anel dado por Rama em sua boca, você saltou através do oceano – não há nenhum milagre/surpresa aqui.

दुर्गम काज जगत के जेते ।
सुगम अनुग्रह तुम्हरे तेते॥ २० ॥
durgama kāja jagata ke jete।
sugama anugraha tumhare tete॥ 20 ॥

Todas as tarefas inatingíveis no mundo tornam-se facilmente alcançáveis com a sua graça.

राम दुआरे तुम रखवारे।
होत न आज्ञा बिनु पैसारे॥ २१ ॥
rāma duāre tuma rakhavāre।
hota na āgyā binu paisāre॥ 21 ॥

Você é o porteiro e protetor da porta da corte de Rama. Sem sua ordem, ninguém pode entrar na morada de Rama.
Rambhadracharya explica paisāre como a forma Tadbhava do sânscrito padasāra.

सब सुख लहै तुम्हारी शरना।
तुम रक्षक काहू को डरना॥ २२ ॥
saba sukha lahai tumhārī saranā।
tuma rakshaka kāhū ko daranā॥ 22 ॥

Uma vez em seu refúgio, um Sādhaka obtém todos os prazeres. Você é o protetor, e não há nada de que temer.

आपन तेज सम्हारो आपै।
तीनौं लोक हाँक ते काँपे॥ २३ ॥
āpana teja samhāro āpai।
tinau loka hāka te kāpai॥ 23 ॥

Quando você rugir, depois de lembrar seus poderes, os três mundos estremecem de medo.
Rambhadracharya comenta que esta estrofe se refere à narrativa de Jambavan lembrando Hanuman de seus poderes no Kishkindha Kanda do Ramayana.

भूत पिशाच निकट नहिं आवै।
महाबीर जब नाम सुनावै॥ २४ ॥
bhūta pishācha nikata nahi āvai।
mahābīra jaba nāma sunāvai॥ 24 ॥

Espíritos malvados (bhūta) e fantasmas carnívoros (pishācha) não se aproximam daqueles que cantam seu nome Mahāvira.

नासै रोग हरै सब पीरा।
जपत निरंतर हनुमत बीरा॥ २५ ॥
nāsai roga harai saba pīrā।
japata nirantara hanumata bīrā॥ 25 ॥

O bravo Hanuman, quando invocado incessantemente por meio do Japa, destrói todas as doenças e remove todos os sofrimentos.

संकट तें हनुमान छुड़ावै।
मन क्रम बचन ध्यान जो लावै॥ २६ ॥
sankata te hanumāna chhudāvai।
mana krama bachana dhyāna jo lāvai॥ 26 ॥

Hanuman livra de todas as adversidades aqueles que se lembram dele (ou contemplam/meditam nele) em seus corações, por suas ações e por suas palavras.

सब पर राम तपस्वी राजा।
तिन के काज सकल तुम साजा॥ २७ ॥
saba para rāma tapasvī rājā।
tina ke kāja sakala tuma sājā॥ 27 ॥

Rama é o Deus supremo e um rei com Tapas, e ainda você executou todas as suas tarefas.
Rambhadracharya explica que a palavra saba para é do sânscrito sarvapara, que significa supremo. Uma leitura variante desta estrofe é sabapara rāma rāya siratājā, em que o comentário de Rambhadracharya diz que Rama é o Deus supremo e o rei dos reis.

और मनोरथ जो कोई लावै।
सोहि अमित जीवन फल पावै॥ २८ ॥
aura manoratha jo koī lāvai।
Sohi amita jīvana phala pāvai॥ 28 ॥

E quem quer que vier a você com algum desejo, esse desejo é cumprido além dos limites (literalmente, “eles obtêm o fruto ilimitado do desejo”) neste mesmo nascimento.
Uma leitura variante é soī amita jīvana phala pāvai.

चारों जुग परताप तुम्हारा।
है परसिद्ध जगत उजियारा॥ २९ ॥
chāro juga para tāpa tumhārā।
hai parasiddha jagata ujiyyārā॥ 29 ॥

Sua glória é famosa em todos os quatro Yugas e ilumina o mundo inteiro.
Rambharacharya acrescenta que esta estrofe refere-se à imortalidade de Hanuman, como acredita-se que quatro ciclos dos quatro Yugas tenham passado desde o Avatar de Rama.

साधु संत के तुम रखवारे।
असुर निकंदन राम दुलारे॥ ३० ॥
sādhu santa ke tuma rakhavāre।
asura nikandana rāma dulāre॥ 30 ॥

Você é o protetor de Sadhus (pessoas boas ou ascéticas) e Sants (santos). Você é o destruidor de demônios e querido como filho de Rama.
Rambhadracharya interpreta a palavra sādhu como Bhaktas que estão executando sādhanā e a palavra santa como Bhaktas cujo sādhanā está completo.

अष्ट सिद्धि नौ निधि के दाता।
अस बर दीन्ह जानकी माता॥ ३१ ॥
ashta siddhi nau nidhi ke dātā।
asa bara dīnha jānakī mātā॥ 31 ॥

Você é o que concede os oito Siddhis (poderes sobrenaturais chamados Aṇimā, Garimā, Mahimāem, Laghimā, Prāpip, Prākāmya, Īśitva e Vaśitva) e os nove Nidhis (tesouros divinos chamados Mahāpadma, Padma, Śaṅkha, Makara, Kacchapa, Mukunda, Kunda, Nīla e Kharva). Mãe Sita, a filha de Janaka, concedeu-lhe essa benção.

राम रसायन तुम्हरे पासा।
सदा रहो रघुपति के दासा॥ ३२ ॥
rāma rasāyana tumhare pāsā।
sadā raho raghupati ke dāsā॥ 32 ॥

Você tem o tesouro do Bhakti de Rama (rāma rasāyana) com você. (Rasāyana literalmente significa químico). Você é, respeitosamente, o servo de Raghupati (Shri Raam).
Rambhadracharya explica o termo rāma rasāyana de duas maneiras:
1. O tesouro do amor (Bhakti) em direção a Rama, com rasa significando devoção e āyana significando repositório
2. A morada da devoção a Rama (ou seja, Ramāyana), com rasa significando devoção e āyana significando uma casa ou edifício
A segunda metade tem leituras variantes incluindo sadā raho e sādara tuma em vez de sādara ho

तुम्हरे भजन राम को पावै।
जनम जनम के दुख बिसरावै॥ ३३ ॥
tumhare bhajana rāma ko pāvai।
janama janama ke dukha bisarāvai॥ 33 ॥

Cantando você (Hanuman), um Bhakta alcança Rama e esquece as adversidades e as aflições de muitos nascimentos.
Rambhadracharya explica usando versos de Ramcharitmanas e Kavitavali, que segundo Tulsidas Jñāna e Vairāgya são os dois meios para alcançar Rama, e Hanuman é ambos Jñāna e Vairāgya encarnados. Daí servir Hanuman conduz a Rama.

अंत काल रघुबर पुर जाई।
जहाँ जन्म हरिभक्त कहाई॥ ३४ ॥
anta kāla raghubara pura jāī।
jahā janma hari bhakta kahāī॥ 34 ॥

Como resultado da devoção a você, um Bhakta vai para o Sāketa Loka (raghubara pura) no momento do seu fim (morte física). Uma vez que o Bhakta alcança Sāketa, onde quer que eles nasçam, eles são conhecidos como os Bhaktas de Hari.
Rambhadracharya interpreta esta estrofe como significando que o Bhakta, até mesmo descarta o feliz Moksha de nascer novamente neste mundo como um devoto de Hari, como diz Tulsidas no quarto livro de Ramcharitmanas.

और देवता चित्त न धरई।
हनुमत सेइ सर्व सुख करई॥ ३५ ॥
aura devatā chitta na dharaī।
hanumata sei sarba sukha karaī॥ 35 ॥

Mesmo aquele que não contempla/medita em qualquer outro Devatas em sua mente e serve apenas a Hanuman, alcança toda bem-aventurança favorável neste mundo e no próximo.
Rambhadracharya explica que de acordo com o Bhagavad Gita apenas Devatas podem conceder os resultados desejados das ações, mas mesmo que se sirva Hanuman e nenhum outro Devata, eles obtêm todas as felicidades terrenas e de outro mundo.

संकट कटै मिटै सब पीरा।
जो सुमिरै हनुमत बलबीरा॥ ३६ ॥
sankata katai mitai saba pīrā।
jo sumirai hanumata balabīrā॥ 36 ॥

Quem quer que se lembra do bravo e poderoso Hanuman fica livre de todas as adversidades e alívio de todas as dores.

जय जय जय हनुमान गोसाईं।
कृपा करहु गुरुदेव की नाईं॥ ३७ ॥
jaya jaya jaya hanumāna gusāī।
kripā karahu gurudeva kī nāī॥ 37 ॥

Ó Hanuman, o mestre dos sentidos, possa você ser vitorioso, possa você ser vitorioso, possa você ser vitorioso. Possa você chover sua graça amorosamente, como faz um Guru, e me revelar o conhecimento da devoção a Rama.
Rambhadracharya interpreta os enunciados de jaya repetidos três vezes para significar que Hanuman é sat-cit-ānanda.

जो शत बार पाठ कर कोई।
छूटहि बंदि महा सुख होई॥ ३८ ॥
jo shata bāra pātha kara koī।
chhūtahi bandi mahā sukha hoī॥ 38 ॥

Aquele que recita Hanuman Chalisa cem vezes (ou por cem dias) é libertado da escravidão e obtém grande felicidade “.
Rambhadracharya interpreta Shata como sendo o número 108 e Bāra (Sânscrito vāra) para significar um dia. Ele explica as palavras como significando que aquele que recita o Hanuman Chalisa 108 vezes ao dia durante 108 dias será libertado das escravidões deste mundo e do próximo, e alcançará grande felicidade.

जो यह पढ़ै हनुमान चालीसा।
होय सिद्धि साखी गौरीसा॥ ३९ ॥
jo yaha parhai hanumāna chālīsā।
hoya siddha sākhī gaurīsā॥ 39 ॥

Aquele que lê este Hanuman Chalisa obtém o Siddhi (realização ou libertação). O próprio Shiva testemunha essa afirmação.
Rao e Mehta explicam isso como “Aquele que lê Hanuman Chalisa alcança o siddhis do Deus Shiva e se torna seu amigo”.

तुलसीदास सदा हरि चेरा।
कीजै नाथ हृदय महँ डेरा॥ ४० ॥
tulasīdāsa sadā hari cherā।
kījai nātha hridaya maha derā॥ 40 ॥

Tulsidas é sempre um devoto de Hari. Ó Senhor, faça de meu coração a sua morada.
Rambhadracharya oferece três explicações para esta estrofe de acordo com três diferentes Anvayas (conexão de palavras):
1. Ó Hanuman, o senhor dos Vanaras, você está sempre a serviço de Hari (Rama), que você possa residir no coração de Tulsidas.
2. Tulsidas diz Ó Lord Hanuman, que você possa residir no coração dos devotos que servem Hari (Rama).
3. Tulsidas é sempre o servo de Hari (Hanuman, como Hari, também significa Vanara em sânscrito), que você possa residir em meu coração.

Doha final

पवनतनय संकट हरन मंगल मूरति रूप।
राम लखन सीता सहित हृदय बसहु सुर भूप॥
pavantanaya sankata harana mangala mūrati rūpa।
rāma lakhan sītā sahita hridaya basahu sura bhūpa॥

Ó Filho de Vāyu, removedor de adversidades, com uma forma auspiciosa e o principal entre todos os Devas, que você possa residir em nossos corações juntamente com Rama, Lakshman e Sita.
Rambhadracharya explica que Tulsidas dirige-se a Hanuman com quatro adjetivos nesta estrofe final para indicar que Hanuman ajuda a limpar a mente (Manas), o intelecto (Buddhi), o coração (Citta) e o ego (Ahaṅkāra) e pedindo-lhe para residir no coração do devoto. Tulsidas acaba o trabalho, concluindo que o refúgio de/em Hanuman é a busca suprema.