Hanuman Chalisa

Hanuman Chalisa é uma stotra (gênero literário de fundamento devocional projetado para ser cantado melodicamente) atribuída ao poeta hindu Goswami Tulsidas (1497dC/1543dC–>1623dC) e dedicada a Hanuman.

Hanuman é uma divindade do panteão hindu, personagem épica do Mahabáratha e principalmente do Ramayna, detentora de altas qualidades de força, coragem, sabedoria, celibato, abnegação e ardente devoção. É o devoto exemplar, idolatrado por milhões de devotos, principalmente nas camadas populares.

Chalisa é uma composição poética estruturada com 40 estrofes de 2 versos. A Hanuman Chalisa contém ainda pares de versos independentes chamados “dohas” antes e depois da chalisa propriamente dita.

A versão a seguir está publicada na escrita alfabeto-silábica hindu denominada devanāgarī, na transliteração fonética para o alfabeto latino denominada hunteriana e na língua portuguesa traduzida da versão inglesa publicada na Wikipedia a partir de traduções dos estudiosos da Gita Press, de Cheeni Rao, de Pandit Vijay Shankar Mehta e de Jagadguru Rambhadracharya.

Por exemplo:

Dohas introdutórios

श्रीगुरु चरन सरोज रज निज मन मुकुर सुधारि।
बरनउँ रघुबर बिमल जसु जो दायकु फल चारि॥
shrīguru charana saroja raja nija mana mukuru sudhāri।
baranau raghubara bimala jasu jo dāyaku phala chāri॥

Limpando o espelho na forma da minha mente com o pólen dos pés de lótus do Guru, descrevo a glória sem mácula de Rama, que confere os quatro frutos.
A tradução do Gita Press interpreta os quatro frutos como os quatro Puruṣārthas: Dharma, Artha, Kāma e Mokṣa. Rambhadracharya comenta que os quatro frutos referem-se a qualquer um dos seguintes:
1.  Os quatro Puruṣārthas: Dharma, Artha, Kāma, Mokṣa
2.  Os quatro tipos de Mukti: Sālokya, Sāmīpya, Sāyujya, Sārūpya
3.  Dharma, Jñāna, Yoga, Japa

बुद्धिहीन तनु जानिकै सुमिरौं पवनकुमार।
बल बुधि बिद्या देहु मोहिं हरहु कलेस बिकार॥
buddhihīna tanu jānikai sumirau pavanakumāra।
bala budhi bidyā dehu mohi harahu kalesa bikāra॥

Sabendo que meu corpo está desprovido de inteligência, lembro-me de Hanuman, filho de Vāyu. Dê-me força, inteligência e conhecimento e remova todas as doenças (kalesa) e impurezas (bikāra).
O Gita Press interpreta kalesa como doenças corporais e bikāra como doenças mentais. Rambhadracharya comenta que kalesa (sânscrito kleśa) se refere às cinco aflições (Avidyā, Asmitā, Rāga, Dveṣa e Abhiniveśa) como descrito nos Yoga Sutras, e bikāra (Sanskrit vikāra) refere-se às seis impurezas da mente (Kāma, Krodha , Lobha, Moha, Mada e Mātsarya). Rambhadracharya acrescenta que estas cinco aflições e seis impurezas são os onze inimigos, e Hanuman é capaz de removê-los visto que ele é a encarnação dos onze Rudras.

O Chalisa

जय हनुमान ज्ञान गुन सागर।
जय कपीस तिहुँ लोक उजागर॥ १ ॥
jaya hanumāna gyāna guna sāgara।
jaya kapīsa tihu loka ujāgara॥ 1 ॥

Hanuman, o oceano de conhecimento e de virtudes, que você possa ser vitorioso. O chefe entre Vanaras famoso entre os três Lokas [Pātāla, Prithvi (terra) e Svarga], que você possa ser vitorioso.
Rambhadracharya comenta que Hanuman é chamado oceano de sabedoria por Tulsidas assim como o Ramayana de Valmiki o descreve como quem conhece os três Vedas (Ṛigveda, Yajurveda e Sāmaveda) e a Vyākaraṇa.

राम दूत अतुलित बल धामा।
अंजनि पुत्र पवनसुत नामा॥ २ ॥
rāma dūta atulita bala dhāmā।
anjani putra pavanasuta nāmā॥ 2 ॥

Você é o mensageiro de confiança de Rama e você é a morada de uma força incomparável. Você é conhecido pelos nomes de Anjaniputra (filho de Anjana) e Pavanasuta (filho de Vāyu).
Hanuman é chamado Anjaniputra porque ele nasceu do ventre de Anjana, que era uma Apsara com o nome de Puñjikasthalā e nasceu como uma Vanara pela maldição de Agastya. Hanuman é chamado Pavanasuta desde que Vāyu levou o poder divino de Shiva para dentro do útero de Anjana, e desde então o Ramayana de Valmiki chama Hanuman como o próprio filho de Vāyu (mārutasyaurasaḥ putraḥ).

महावीर विक्रम बजरंगी।
कुमति निवार सुमति के संगी॥ ३ ॥
mahāvīra vikrama bajarangī।
kumati nivāra sumati ke sangī॥ 3 ॥

Você é o grande herói, você é dotado de valor, seu corpo é tão forte quanto o Vajra de Indra. Você é o destruidor do intelecto vil, e você é o companheiro daquele cujo intelecto é puro.
Rambhadracharya explica que a palavra bajarangī vem do sânscrito Vajrāṅgī e dá dois significados da palavra bikrama com base na raiz kram em sânscrito e uso da forma verbal vikramasva no Ramayana de Valmiki –
1. Hanuman é dotado de progressão especial da sādhanā (penitência).
2. Hanuman é dotado do poder especial de passar sobre ou através, ou seja, da travessia do oceano

कंचन बरन बिराज सुबेसा।
कानन कुंडल कुंचित केसा॥ ४ ॥
kanchana barana birāja subesā।
kānana kundala kunchita kesā॥ 4 ॥

Sua tez é aquela de ouro fundido, e você é resplandecente em sua forma bonita. Você usa Kundalas (pequenos brincos usados nos tempos antigos pelos hindus) nas suas orelhas e seu cabelo é encaracolado.
Observando que no Ramcharitmanas Tulsidas chama Hanuman como Subeṣa (alguém com uma forma bonita), Rambhadracharya comenta que este verso descreve a forma de Hanuman quando ele tomou a aparência de um brâmane, o que acontece três vezes nos Ramcharitmanas.

हाथ बज्र औ ध्वजा बिराजै।
काँधे मूँज जनेऊ साजै॥ ५ ॥
hātha bajra au dhvajā birājai।
kādhe mūnja janeū sājai॥ 5 ॥

Você tem o Vajra e a bandeira nas suas mãos, e o fio sagrado (Yajnopavita) feito da grama Munja adorna seu ombro.
Rambhadracharya dá dois significados para a primeira metade da estrofe –
1. A bandeira significando a vitória de Rama brilha na Vrajra de Hanuman, como mão poderosa
2. A Vraja – como poderoso Gadā e a bandeira da vitória de Rama brilham nas mãos de Hanuman
Ele também dá a leitura variante de chhājai (छाजै) ao invés de sājai (साजै) na segunda metade.

शंकर सुवन केसरी नंदन।
तेज प्रताप महा जग बंदन॥ ६ ॥
shankara suvana kesarī nandana।
teja pratāpa mahā jaga bandana॥ 6 ॥

Ó filho de Shiva (ou filho de Vāyu carregando o poder de Shiva), o encantador de Kesari, sua aura e majestade são grandes e venerados pelo mundo inteiro.
Rao e Mehta explicam a primeira metade quando Hanuman é filho de Kesari e Shiva. Rambhadracharya dá duas variantes de leitura para a primeira parte:
1. shankara svayam, na qual é explicado como Hanuman é Shiva em si mesmo, como Vāyu carregou o poder de Shiva em si mesmo para o útero de Anjana, do qual Hanuman nasceu. Tulsidas menciona Hanuman como um Avatar de Shiva no Vinayapatrika.
2. shankara suvana, a qual explica como Hanuman é o filho de Vāyu, que é uma das oito manifestações de Shiva conforme Kalidasa. Uma explicação alternativa é que a palavra suvana é usada no sentido de Aṃśa conforme a narrativa purânica de Vāyu transportando o poder de Shiva para o útero de Anjana.
Rambhadracharya explica kesarī nandana como o filho Kṣetraja de Kesari, que é um dos doze tipos de descendências reconhecidos na antiga lei hindu.

विद्यावान गुनी अति चातुर।
राम काज करिबे को आतुर॥ ७ ॥
vidyāvāna gunī ati chātura।
rāma kāja karibe ko ātura॥ 7 ॥

Você é a digna morada dos dezoito tipos de Vidyā (conhecimento), todas as virtudes residem em você e você é extraordinariamente inteligente. Você está sempre ansioso para executar tarefas para Rama.

प्रभु चरित्र सुनिबे को रसिया।
राम लखन सीता मन बसिया॥ ८ ॥
prabhu charitra sunibe ko rasiyā।
rāma lakhana sītā mana basiyā॥ 8 ॥

Você se deleita em escutar os feitos de Rama (Ramayana). Rama, Lakshmana e Sita residem em sua mente. Alternativamente, você reside nas mentes de Rama, Lakshmana e Sita [devido ao afeto deles em relação a você].

सूक्ष्म रूप धरी सियहिं दिखावा।
बिकट रूप धरि लंक जरावा॥ ९ ॥
sūkshma rūpa dhari siyahi dikhāvā।
bikata rūpa dhari lanka jarāvā॥ 9 ॥

Você assumiu uma forma extremamente minúscula e apareceu para Sita no Ashok Vatika. Você assumiu uma forma muito grande e assustadora e incendiou a cidade de Lanka.

भीम रूप धरि असुर सँहारे।
रामचन्द्र के काज सँवारे॥ १० ॥
bhīma rūpa dhari asura sahāre।
rāmachandra ke kāja savāre॥ 10 ॥

Você assumiu uma forma amedrontadora e destruiu os demônios [no exército de Ravana]. Você executou todas as tarefas de Rama.
Rambhadracharya comenta que a palavra bhīma é uma alusão ao evento no Mahabharata quando Hanuman mostrou a mesma forma assustadora para Bhima.
Hanuman vai buscar a montanha trazendo a erva Sanjivini

लाय सँजीवनि लखन जियाए।
श्रीरघुबीर हरषि उर लाए॥ ११ ॥
lāya sajīvani lakhana jiyāe।
shrī raghubīra harashi ura lāe॥ 11 ॥

Você trouxe o Sanjivini, a erva salvadora de vida de Dronagiri no Himalaia, e revitalizou Lakshman. Por júbilo, Rama abraçou você.

रघुपति कीन्हीं बहुत बड़ाई।
तुम मम प्रिय भरतहि सम भाई॥ १२ ॥
raghupati kīnhī bahut barāī।
tuma mama priya bharatahi sama bhāī॥ 12 ॥

Rama, o chefe entre os descendentes de Raghu, louvou você profusamente dizendo: “Você é querido para mim como meu irmão Bharata.
Rambhadracharya associa o termo bhāī com bharata. Em contraste, Rao e Mehta interpretam a segunda metade como Rama disse que você (Hanuman) é meu querido irmão, como Bharata.

सहस बदन तुम्हरो जस गावैं।
अस कहि श्रीपति कंठ लगावैं॥ १३ ॥
sahasa badana tumharo jasa gāvai।
asa kahi shrīpati kantha lagāvai॥ 13 ॥

A tradução de Rao e Mehta: Rama também acrescentou que mil pessoas irão louvar a glória de Hanuman e o abraçou novamente.
Rambhadracharya interpreta sahasa badana como a serpente Shesha com mil cabeças. Sua tradução é: a serpente Shesha, que tem mil bocas, canta e vai cantar a sua glória, dizendo assim Rama abraça Hanuman repetidas vezes.

सनकादिक ब्रह्मादि मुनीसा।
नारद सारद सहित अहीसा॥ १४ ॥
जम कुबेर दिक्पाल जहाँ ते।
कबी कोबिद कहि सकैं कहाँ ते॥ १५ ॥
sanakādika brahmādi munīsā।
nārada sārada sahita ahīsā॥ 14 ॥
jama kubera dikpāla jahā te।
kabi kobida kahi sakai kahā te॥ 15 ॥

Rao e Mehta traduzem os dois versos, como: Saints como Sanka, Bramha, Munisa, Narad, Sarad, Sahit e Ahisa abençoaram Hanuman; Yama (Deus da morte), Kubera (Deus da riqueza), Dikpala (deuses de oito direções), Kavis (poetas), Kovidas (cantores populares) não podem descrever a reputação de Hanuman. Rambhadracharya associa o verbo gāvai na estrofe 13 com a estrofe 14 e a primeira metade da estrofe 15 também, interpreta ahīsā como significando/representando ambos Shiva e Vishnu e kovida como alguém que conhece Vedas. Sua tradução diz: Os Rishis celibatários como Sanaka, os Devatas como Brahma, Narada os melhores entre Munis (sábios), Saraswati com Shiva e Vishnu, os oito Dikpalas, incluindo Yama e Kubera, todos esses cantarão a sua glória. Até que ponto podem os mortais poetas e estudiosos dos Vedas falar sobre a sua infinita glória?

तुम उपकार सुग्रीवहिं कीन्हा।
राम मिलाय राजपद दीन्हा॥ १६ ॥
tuma upakāra sugrīvahi kīnhā।
rāam milāya rājapada dīnhā॥ 16 ॥

Você fez um grande favor a Sugriva, fazendo-o encontrar Rama e lhe concedendo o reino de Kishkindha.

तुम्हरो मन्त्र बिभीषन माना।
लंकेश्वर भए सब जग जाना॥ १७ ॥
tumharo mantra bibhīshana mānā।
lankeshvara bhae saba jaga jānā॥ 17 ॥

Seu Mantra foi aceito por Vibishana, como resultado do qual ele se tornou o rei de Lanka. O mundo inteiro sabe disso.

जुग सहस्र जोजन पर भानू।
लील्यो ताहि मधुर फल जानू॥ १८ ॥
juga sahasra jojana para bhānū।
līlyo tāhi madhura phala jānū॥ 18 ॥

O Surya, sol situado {1 Yug = 12.000 anos, 1 Sahastra = 1.000, 1 Yojan = 8 Milhas, (Yug x Sahastra x Yojan) = 12.000×1.000×8 milhas = 96.000.000 milhas (1 milha = 1,6 km) 96.000.000 milhas = 96.000.000 X1,6 km = 153.600.000 km} 153.600.000 km da terra, foi engolido por você depois que você supôs que ele era uma fruta doce.
Embora Hanuman não acabe engolindo o Surya no Ramayana de Valmiki, a história é referida por Tulsidas no Vinayapatrika. Rambhadracharya atribui as diferenças na narração por Valmiki e Tulsidas à diferença no Kalpas.

प्रभु मुद्रिका मेलि मुख माहीं।
जलधि लाँघि गये अचरज नाहीं॥ १९ ॥
prabhu mudrikā meli mukha māhī।
jaladhi lāghi gaye acharaja nāhī॥ 19 ॥

Ó Senhor, colocando o anel dado por Rama em sua boca, você saltou através do oceano – não há nenhum milagre/surpresa aqui.

दुर्गम काज जगत के जेते ।
सुगम अनुग्रह तुम्हरे तेते॥ २० ॥
durgama kāja jagata ke jete।
sugama anugraha tumhare tete॥ 20 ॥

Todas as tarefas inatingíveis no mundo tornam-se facilmente alcançáveis com a sua graça.

राम दुआरे तुम रखवारे।
होत न आज्ञा बिनु पैसारे॥ २१ ॥
rāma duāre tuma rakhavāre।
hota na āgyā binu paisāre॥ 21 ॥

Você é o porteiro e protetor da porta da corte de Rama. Sem sua ordem, ninguém pode entrar na morada de Rama.
Rambhadracharya explica paisāre como a forma Tadbhava do sânscrito padasāra.

सब सुख लहै तुम्हारी शरना।
तुम रक्षक काहू को डरना॥ २२ ॥
saba sukha lahai tumhārī saranā।
tuma rakshaka kāhū ko daranā॥ 22 ॥

Uma vez em seu refúgio, um Sādhaka obtém todos os prazeres. Você é o protetor, e não há nada de que temer.

आपन तेज सम्हारो आपै।
तीनौं लोक हाँक ते काँपे॥ २३ ॥
āpana teja samhāro āpai।
tinau loka hāka te kāpai॥ 23 ॥

Quando você rugir, depois de lembrar seus poderes, os três mundos estremecem de medo.
Rambhadracharya comenta que esta estrofe se refere à narrativa de Jambavan lembrando Hanuman de seus poderes no Kishkindha Kanda do Ramayana.

भूत पिशाच निकट नहिं आवै।
महाबीर जब नाम सुनावै॥ २४ ॥
bhūta pishācha nikata nahi āvai।
mahābīra jaba nāma sunāvai॥ 24 ॥

Espíritos malvados (bhūta) e fantasmas carnívoros (pishācha) não se aproximam daqueles que cantam seu nome Mahāvira.

नासै रोग हरै सब पीरा।
जपत निरंतर हनुमत बीरा॥ २५ ॥
nāsai roga harai saba pīrā।
japata nirantara hanumata bīrā॥ 25 ॥

O bravo Hanuman, quando invocado incessantemente por meio do Japa, destrói todas as doenças e remove todos os sofrimentos.

संकट तें हनुमान छुड़ावै।
मन क्रम बचन ध्यान जो लावै॥ २६ ॥
sankata te hanumāna chhudāvai।
mana krama bachana dhyāna jo lāvai॥ 26 ॥

Hanuman livra de todas as adversidades aqueles que se lembram dele (ou contemplam/meditam nele) em seus corações, por suas ações e por suas palavras.

सब पर राम तपस्वी राजा।
तिन के काज सकल तुम साजा॥ २७ ॥
saba para rāma tapasvī rājā।
tina ke kāja sakala tuma sājā॥ 27 ॥

Rama é o Deus supremo e um rei com Tapas, e ainda você executou todas as suas tarefas.
Rambhadracharya explica que a palavra saba para é do sânscrito sarvapara, que significa supremo. Uma leitura variante desta estrofe é sabapara rāma rāya siratājā, em que o comentário de Rambhadracharya diz que Rama é o Deus supremo e o rei dos reis.

और मनोरथ जो कोई लावै।
सोहि अमित जीवन फल पावै॥ २८ ॥
aura manoratha jo koī lāvai।
Sohi amita jīvana phala pāvai॥ 28 ॥

E quem quer que vier a você com algum desejo, esse desejo é cumprido além dos limites (literalmente, “eles obtêm o fruto ilimitado do desejo”) neste mesmo nascimento.
Uma leitura variante é soī amita jīvana phala pāvai.

चारों जुग परताप तुम्हारा।
है परसिद्ध जगत उजियारा॥ २९ ॥
chāro juga para tāpa tumhārā।
hai parasiddha jagata ujiyyārā॥ 29 ॥

Sua glória é famosa em todos os quatro Yugas e ilumina o mundo inteiro.
Rambharacharya acrescenta que esta estrofe refere-se à imortalidade de Hanuman, como acredita-se que quatro ciclos dos quatro Yugas tenham passado desde o Avatar de Rama.

साधु संत के तुम रखवारे।
असुर निकंदन राम दुलारे॥ ३० ॥
sādhu santa ke tuma rakhavāre।
asura nikandana rāma dulāre॥ 30 ॥

Você é o protetor de Sadhus (pessoas boas ou ascéticas) e Sants (santos). Você é o destruidor de demônios e querido como filho de Rama.
Rambhadracharya interpreta a palavra sādhu como Bhaktas que estão executando sādhanā e a palavra santa como Bhaktas cujo sādhanā está completo.

अष्ट सिद्धि नौ निधि के दाता।
अस बर दीन्ह जानकी माता॥ ३१ ॥
ashta siddhi nau nidhi ke dātā।
asa bara dīnha jānakī mātā॥ 31 ॥

Você é o que concede os oito Siddhis (poderes sobrenaturais chamados Aṇimā, Garimā, Mahimāem, Laghimā, Prāpip, Prākāmya, Īśitva e Vaśitva) e os nove Nidhis (tesouros divinos chamados Mahāpadma, Padma, Śaṅkha, Makara, Kacchapa, Mukunda, Kunda, Nīla e Kharva). Mãe Sita, a filha de Janaka, concedeu-lhe essa benção.

राम रसायन तुम्हरे पासा।
सदा रहो रघुपति के दासा॥ ३२ ॥
rāma rasāyana tumhare pāsā।
sadā raho raghupati ke dāsā॥ 32 ॥

Você tem o tesouro do Bhakti de Rama (rāma rasāyana) com você. Rasāyana lit. Significa químico. Você é, respeitosamente, o servo de Raghupati (Shri Raam).
Rambhadracharya explica o termo rāma rasāyana de duas maneiras:
1. O tesouro do amor (Bhakti) em direção a Rama, com rasa significando devoção e āyana significando repositório
2. A morada da devoção a Rama (ou seja, Ramāyana), com rasa significando devoção e āyana significando uma casa ou edifício
A segunda metade tem leituras variantes incluindo sadā raho e sādara tuma em vez de sādara ho

तुम्हरे भजन राम को पावै।
जनम जनम के दुख बिसरावै॥ ३३ ॥
tumhare bhajana rāma ko pāvai।
janama janama ke dukha bisarāvai॥ 33 ॥

Cantando você (Hanuman), um Bhakta alcança Rama e esquece as adversidades e as aflições de muitos nascimentos.
Rambhadracharya explica usando versos de Ramcharitmanas e Kavitavali, que segundo Tulsidas Jñāna e Vairāgya são os dois meios para alcançar Rama, e Hanuman é ambos Jñāna e Vairāgya encarnados. Daí servir Hanuman conduz a Rama.

अंत काल रघुबर पुर जाई।
जहाँ जन्म हरिभक्त कहाई॥ ३४ ॥
anta kāla raghubara pura jāī।
jahā janma hari bhakta kahāī॥ 34 ॥

Como resultado da devoção a você, um Bhakta vai para o Sāketa Loka (raghubara pura) no momento do seu fim (morte física). Uma vez que o Bhakta alcança Sāketa, onde quer que eles nasçam, eles são conhecidos como os Bhaktas de Hari.
Rambhadracharya interpreta esta estrofe como significando que o Bhakta, até mesmo descarta o feliz Moksha de nascer novamente neste mundo como um devoto de Hari, como diz Tulsidas no quarto livro de Ramcharitmanas.

और देवता चित्त न धरई।
हनुमत सेइ सर्व सुख करई॥ ३५ ॥
aura devatā chitta na dharaī।
hanumata sei sarba sukha karaī॥ 35 ॥

Mesmo aquele que não contempla /medita em qualquer outro Devatas em sua mente e serve apenas a Hanuman, alcança toda bem-aventurança favorável neste mundo e no próximo.
Rambhadracharya explica que de acordo com o Bhagavad Gita apenas Devatas podem conceder os resultados desejados das ações, mas mesmo que se sirva Hanuman e nenhum outro Devata, eles obtêm todas as felicidades terrenas e de outro mundo.

संकट कटै मिटै सब पीरा।
जो सुमिरै हनुमत बलबीरा॥ ३६ ॥
sankata katai mitai saba pīrā।
jo sumirai hanumata balabīrā॥ 36 ॥

Quem quer que se lembra do bravo e poderoso Hanuman fica livre de todas as adversidades e alívio de todas as dores.

जय जय जय हनुमान गोसाईं।
कृपा करहु गुरुदेव की नाईं॥ ३७ ॥
jaya jaya jaya hanumāna gusāī।
kripā karahu gurudeva kī nāī॥ 37 ॥

Ó Hanuman, o mestre dos sentidos, possa você ser vitorioso, possa você ser vitorioso, possa você ser vitorioso. Possa você chover sua graça amorosamente, como faz um Guru, e me revelar o conhecimento da devoção a Rama.
Rambhadracharya interpreta os enunciados de jaya repetidos três vezes para significar que Hanuman é sat-cit-ānanda.

जो शत बार पाठ कर कोई।
छूटहि बंदि महा सुख होई॥ ३८ ॥
jo shata bāra pātha kara koī।
chhūtahi bandi mahā sukha hoī॥ 38 ॥

Aquele que recita Hanuman Chalisa cem vezes (ou por cem dias) é libertado da escravidão e obtém grande felicidade “.
Rambhadracharya interpreta Shata como sendo o número 108 e Bāra (Sânscrito vāra) para significar um dia. Ele explica as palavras como significando que aquele que recita o Hanuman Chalisa 108 vezes ao dia durante 108 dias será libertado das escravidões deste mundo e do próximo, e alcançará grande felicidade.

जो यह पढ़ै हनुमान चालीसा।
होय सिद्धि साखी गौरीसा॥ ३९ ॥
jo yaha parhai hanumāna chālīsā।
hoya siddha sākhī gaurīsā॥ 39 ॥

Aquele que lê este Hanuman Chalisa obtém o Siddhi (realização ou libertação). O próprio Shiva testemunha essa afirmação.
Rao e Mehta explicam isso como “Aquele que lê Hanuman Chalisa alcança o siddhis do Deus Shiva e se torna seu amigo”.

तुलसीदास सदा हरि चेरा।
कीजै नाथ हृदय महँ डेरा॥ ४० ॥
tulasīdāsa sadā hari cherā।
kījai nātha hridaya maha derā॥ 40 ॥

Tulsidas é sempre um devoto de Hari. Ó Senhor, faça meu coração a sua morada.
Rambhadracharya oferece três explicações para esta estrofe de acordo com três diferentes Anvayas (conexão de palavras):
1. Ó Hanuman, o senhor dos Vanaras, você está sempre a serviço de Hari (Rama), que você possa residir no coração de Tulsidas.
2. Tulsidas diz Ó Lord Hanuman, que você possa residir no coração dos devotos que servem Hari (Rama).
3. Tulsidas é sempre o servo de Hari (Hanuman, como Hari, também significa Vanara em sânscrito), que você possa residir em meu coração.

Doha final

पवनतनय संकट हरन मंगल मूरति रूप।
राम लखन सीता सहित हृदय बसहु सुर भूप॥
pavantanaya sankata harana mangala mūrati rūpa।
rāma lakhan sītā sahita hridaya basahu sura bhūpa॥

Ó Filho de Vāyu, removedor de adversidades, com uma forma auspiciosa e o principal entre todos os Devas, que você possa residir em nossos corações juntamente com Rama, Lakshman e Sita.
Rambhadracharya explica que Tulsidas dirige-se a Hanuman com quatro adjetivos nesta estrofe final para indicar que Hanuman ajuda a limpar a mente (Manas), o intelecto (Buddhi), o coração (Citta) e o ego (Ahaṅkāra) e pedindo-lhe para residir no coração do devoto. Tulsidas acaba o trabalho, concluindo que o refúgio de/em Hanuman é a busca suprema.

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