A Anistia Internacional é um braço do Departamento de Estado dos EEUU

O atrelamento da AnistiInternacional ao Departamento de Estado dos EEUU
por Jose Luis Forneo
Do Cuestionatelotodo, em 05.12.2011


O que poderíamos chamar “onguismo” é um fenômeno muito habitual nas últimas décadas que consiste na proliferação do que se denominam Organizações Não Governamentais (ao menos em teoria) que se dedicam a substituir os vazios de solidariedade e ajuda que os estados não praticam entre si (isto é, uma espécie de falsa suplantação do internacionalismo ou de tentar limpar a consciência dos resignados súditos do Império).

O fato é que cada vez mais é questionável o papel independente destas ONGs, em especial as maiores, convertidas na realidade em espécie de grandes empresas que terminam defendendo, além de suas lutas teóricas, os interesses das grandes potências econômicas.

Os exemplos são muitos, mas tão somente basta dar uma olhada no papel de organizações “independentes” como Repórteres Sem Fronteiras, Médicos Sem Fronteiras, Human Rights Watch, GreenPeace, Anistia Internacional e tantas outras, para comprovar que em muitas ocasiões elas não apenas servem de instrumento para a moderação dos conflitos provocados pelo próprio capitalismo, como também seus “executivos” defendem na realidade os mesmos interesses que os das grandes corporações econômicas, centrando-se em resolver os problemas que na realidade não afetam em demasia os seus interesses, enquanto criam a falsa sensação de que o regime totalitário capitalista deixa vias de escape para a liberdade e a solidariedade.
Além de tudo isso, também está mais do que claro que algumas das ONGs, grandes ou pequenas, servem de cunha aos interesses do imperialismo quando se trata de justificar a propaganda midiática desenhada nos despachos de alguma filial das corporações econômicas, que também controlam os meios de comunicação e com linha direta até à Casa Branca.

É preciso dar uma olhada no que aconteceu na Líbia ou na Costa do Marfim, no que está acontecendo na Síria, ao protagonismo dessas ONGs nas “revoluções coloridas” planejadas pelos EUA para controlar as ex repúblicas soviéticas, ou o papel de algumas delas nos países que as grandes corporações econômicas marcam com um “x” como membros do eixo do mal (isto é, nos quais não podem saquear e dominar tranquilamente), os quais elas criminalizam com acusações que vão desde a “falta de democracia” até selvagens crimes como alucinantes bombardeios a manifestantes com caças supersônicos. Inclusive, se preciso, elas não têm dúvidas em encher as ruas com bandeiras da cor que convenha em cada caso (sempre com a bênção das multinacionais).

A vinculação é clara, mas tem vezes que se torna demolidora. Por exemplo, fomos informados de que a nova diretora-executiva da Anistia International vai ser Suzanne Nossel. Quem é essa Senhora? Uma ativista humanitária destacada por suas ações contra a injustiça e os crimes de guerra, contra a tortura e a intervenção militar no mundo? Pois não.
A tal Suzanna Nossel é, ao contrário, uma antiga colaboradora do Departamento de Estado dos governos de Bill Clinton e Barack Obama, onde se desdobrou sem dúvida com inestimáveis esforços para manipular o tema dos direitos humanos em favor das ambições imperiais dos EEUU (será que é realmente para isso que servem as ONGs?).

Assim resulta que Suzanne Nossel, nova diretora-executiva da Anistia Internacional-USA, vai constituir uma garantia na defesa dos direitos humanos no mundo, como foi quando seus chefes levaram a cabo atrozes crimes de guerra na Iugoslávia, no Afeganistão, no Iraque, no Líbano, na Libia…

Precisamente Nossel participou ativamente das diversas campanhas planejadas pela Administração Obama contra Irã, Líbia e Síria, destacando-se a articulação da bateria de mentiras destinadas a intoxicar o Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, para lograr que o Conselho de Segurança da ONU adotasse uma resolução para autorizar a guerra contra a Líbia. Ao final, as acusações da nova diretora-executiva da Anistia Internacional resultaram ser, como era evidente, puras mentiras.

Suzanne Nossel já havia trabalhado antes para outra grande ONG, daquelas que nutrem as capas dos grandes meios de propaganda de propriedade das grandes corporações econômicas quando é preciso sancionar, atacar ou destruir um país, para o qual tanto os governos dos regimes capitalistas como as ONGs “humanitárias” não têm escrúpulo algum: a Human Rights Watch.

Em definitivo, a tal Nossel é a personificação das relações perversas e malcheirosas entre os governos, as corporações e as grandes organizações não governamentais deste sistema totalitário cuja aparente democracia muitos intelectuais e figuras destacadas querem exportar aos países que não são europeus ou norte-americanos. De fato, além de trabalhar para a Human Rights Watch e agora para a Anistia Internacional e de ser maporrera* dos presidentes norte-americanos para justificar genocídios e outros crimes contra a humanidade, Nossel fez parte também do quadro de funcionários de grandes corporações econômicas, como Bertelsmann Media Worldwide e a administração do Wall Street Journal.

Sua eleição para a direção da Anistia Internacional-USA tem a ver com a necessidade de inventar novas mentiras contra a Síria, o Paquistão, o Irã, entre outros, para justificar novos banhos de sangue “humanitários”?

Se for para apostar eu tenho claro que sim.




*maporrera: palavra que na Espanha significa pessoa que ajuda alguém em tarefa física ou moralmente repugnante. É derivada de mamporrero ou maporrero, denominação dada ao homem que segura e conduz o pênis do cavalo até à vagina da égua no acasalamento reprodutivo. Não é o mesmo que puxa-saco, cujo equivalente seria algo como alzapollas em espanhol.



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