Massacres e sepultamentos em massa: como a mídia inventa uns e esconde outros

Valas comuns de mentira e de verdade: Líbia, Romênia, Iugoslávia, Panamá, Guatemala, Colômbia, Haiti.
Baseado em artigo de Alfredo Embid, do CIAR/AMC
(com acréscimos deste blog)

Líbia: valas falsas e verdadeiras

No final de agosto de 2011, coincidindo com os massacres cometidos pela OTAN/CNT/Al-Qaeda durante a invasão de Tripoli, os meios de desinformação ecoaram uma nova notícia que “demonstrava” mais uma vez, os “crimes do malvado ditador Qaddafi”.

O governo fantoche informava no domingo, 25 de agosto, que haviam descoberto valas comuns contendo os restos mortais de 1.700 prisioneiros supostamente mortos pelo governo Qaddafi, perto da prisão de Abu Salim1.

Os canalhas que espalharam a falsa notícia foram em primeiro lugar os da cadeia Al Jazeera de propriedade do emir do Qatar. Sem adicionar a menor dúvida sobre estes fatos, intitularam sua versão em Inglês: “Mass grave of Libyan prisoners found” (Encontrada vala comum de prisioneiros líbios)2.

O artigo na Al Jazeera anunciava “a descoberta de uma vala comum contendo os restos mortais de 1700 detentos assassinados violentamente. A notícia veio no domingo, quando centenas de combatentes do CNT entraram em Sirte, cidade que os aviões da OTAN bombardearam duas vezes durante o dia”.

A notícia era duplamente falsa, pois os combatentes do CNT continuaram ainda por 60 dias sem tomar Sirte, apesar dos constantes bombardeios da OTAN.

As “provas” da cova com 1700 corpos

Khalid Sharif, porta-voz da junta militar do CNT, disse: “Encontramos o local onde enterraram todos estes mártires“, acrescentando que era “a prova dos crimes do regime de Qaddafi“.

Mas onde estão as provas?

Salim Al Ferjani, membro do comitê nomeado pelo CNT para identificar os restos mortais, disse: “Eles despejaram ácido nos corpos para remover as evidências“. Portanto, não há evidências.

Pior ainda, foi descoberto que os ossos dos “mártires” não são humanos. O trabalho malfeito orquestrado pelo governo fantoche ficou claro quando os jornalistas visitaram o lugar da “descoberta”. A versão do governo foi tão indigna de ser apresentada que até alguns meios de comunicação acostumados a mentir sistematicamente tiveram que questioná-la e rechaçá-la…

Mais “provas” da cova com 1700 corpos

A jornalista italiana Marinella Correggio, em um trabalho reproduzido nos sítios web da belga Investig’Action e da canadense Mondialisation, analisou as mudanças das sucessivas versões da CNN3: “A primeira versão do artigo da CNN, visível até à segunda-feira de manhã, informou o comunicado do governo do CNT, mas logo acrescentou:Não está claro que o local seja uma vala comum, porque não há presença da escavação. Eles mostraram os ossos para a mídia, mas os médicos no local com a equipe da CNN sustentam que não são humanos‘.

Note-se que a CNN reconhece que não há presença de escavação. No entanto, a foto publicada num artigo do sítio mexicano “Boca del Rio” tirado do também mexicano “Diário La Razón” é esta abaixo4, que na verdade é uma foto da vala comum encontrada em julho de 2010 no povoado de Macarena, na Colômbia, contendo mais de 2.000 corpos de cidadãos assassinados pelas forças militares e de segurança da Colômbia e que permanece praticamente ignorada pelos meios de comunicação:

No artigo seguinte da CNN5 suprimiu-se a referência aos médicos, mas a dúvida permaneceu: “o CNT suspeita de uma vala comum, ainda que não haja presença da escavação nem tenham sido encontrados restos humanos. Uma equipe da CNN foi enviado para lá, um campo enlameado e apenas encontraram ossos aparentemente pertencentes a animais“.

Mas isso não é tudo: “a CNN diz que de acordo com o ‘revolucionário’ Abdel Jalil, o local foi identificado em 20 de agosto“. “Nesse caso, por que somente agora a notícia foi divulgada?” perguntou-se Marinella.

Está claro: foi divulgada para eclipsar as evidências de que os membros do CNT continuavam perpetrando o genocídio na Líbia a uma escala ainda maior em Trípoli, conforme já fora denunciado nos Boletins nº 3856e nº 3887.

Mais “provas” do “massacre”

O enviado do jornal francês Le Figaro de Tripoli se pergunta se está diante de “uma descoberta macabra ou uma manipulação sombria” . Afirma que foi ao lugar indicado e se encontrou com um “terreno baldio, pisoteado por crianças, onde os únicos ossos visíveis não eram de tamanho humano, mas compatível com o esqueleto de um dromedário8.

O enviado do diário francês Libération deplora a ausência de forenses “que poderiam certificar às famílias totalmente perdidas que esse fêmur só poderia pertencer a um mamífero de 500 quilos“.

Nós buscamos o rastro de nossos filhos. Nos disseram por rádio que o pessoal do CNT havia encontrado restos humanos. Mas somente há ossos de animais e latas de conserva … Nos mentem“, diz uma mulher. Mas nem todos se dão conta. O repórter descreve as patéticas imagens de homens chorando levantando ossos que acreditam humanos ainda que pertençam claramente a dromedários9.

Finalmente a jornalista italiana Marinella Correggio conclui que “Um buraco com uns poucos ossos de animais se converte em vala comum com mais de 1.200 corpos (ou talvez 1.700). “O CNT finalmente teve que admitir que “os ossos são muito grandes para serem ossos humanos. É provável que sejam outra coisa.” Mas a maioria dos meios de comunicação não percebem …10

Cita em particular o jornal italiano La Repubblica de 26 de Setembro, que dedicou a página inteira a essa “descoberta” sem questioná-la11.

Na Espanha todos os meios fazem o mesmo e inclusive usam fotos que não correspondem ao evento, como esta:

“Descoberta vala comum em Trípoli com restos de 1.200 pessoas” (Reuters12 em 25 de setembro de 2011)

Não notou nada de estranho?

Os mortos não são enterrados, estão rodeados pelo que provavelmente foram seus pertences e, mais importante: todos são negros. Na verdade trata-se de parte dos massacrados pelo CNT em Trípoli durante as recentes matanças racistas que já denunciamos. A foto se parece muito com esta outra da AFP, cujo texto diz:
“Três pessoas caminham pelo bairro de Abu Salim junto a vários corpos de gadafistas e cobrem seus rostos pelo forte cheiro” (AFP)


Vídeo de El Mundo13
Se incluem vídeos como este, onde enquanto o locutor fala sobre a descoberta de valas comuns com mais de 1000 pessoas as imagens mostram apenas alguns ossos em um terreno baldio:
A Televisão Espanhola enfeita sua reportagem com imagens de corpos queimados que pertencem à tomada de Trípoli atribuindo-os falsamente ao governo assediado que ao parecer não tinha outra coisa que fazer que matar sua própria gente. Isto já se fez com outros corpos (curiosamente sempre de negros) encontrados ao redor da residência de Gadafi e nos hospitais abandonados, como já denunciamos e discutimos nos Boletins nº 38815 e nº 39116.

A imprensa espanhola repetiu como papagaio a versão do governo fantoche e descaradamente ocultou as dúvidas.

Apenas na Internet encontramos notáveis exceções. No espanhol YVKE Radio Mundial e Kaos en la Red denunciaram que “as imagens de cadáveres mostradas na televisão, na verdade pertenciam a corpos desenterrados do cemitério da cidade e possíveis ossos de dromedários17.

O CNT teve de reconhecer que não está claro e disse que “tem de continuar investigando18.

O mesmo aconteceu anteriormente, quando o próprio governo fantoche também se viu obrigado a reconhecer que havia mentido descaradamente. Esse foi o caso das falsas imagens de TV em que a Al Jazeera supostamente retransmitia as celebrações do povo líbio após a tomada virtual da Praça Verde de Trípoli. Como já advertimos antes que isto acontecesse e confirmamos depois, as imagens foram filmadas em um estúdio de Qatar19.

Em fevereiro de 2011 já haviam se utilizado da mesma mentira

O tema das valas comuns fabricadas pela imprensa já havia sido utilizado na Líbia pelos meios de desinformação no início da campanha para demonizar o governo de Gaddafi em fevereiro com imagens falsificadas, em vídeo e fotos.

Aqui o privilégio de ser o primeiro sem-vergonha a espalhar esta “notícia” foi da cadeia Al Arabiya de propriedade da família real saudita, em 22 de Fevereiro.

As tumbas cavadas apressadamente pela milícia de Gaddafi para esconder parte dos 10 mil mortos e 50 mil feridos entre os manifestantes
20.

As suas fontes?

Uma mensagem de twitter, cuja fonte é um suposto membro do Tribunal Penal Internacional na Líbia, a qual repudiou as declarações no dia seguinte
21.

Não importa, os meios ocidentais reproduziram bem contentes a oportuna notícia imediatamente. Por exemplo, o sítio web norteamericano Um dia na Terra (One Day on Earth) escrevia no mesmo dia 22 de fevereiro: “Nossos contatos dentro da Líbia compartilham uma história triste conosco e se arriscaram a enviar estas imagens impressionantes. O vídeo e as imagens dos que foram fuzilados por esquadrões da morte de Qaddafi. Disseram-nos que muitos moradores de Tripoli têm medo de recolher os cadáveres, inclusive na rua, enquanto informam que as forças líbias disparam ao acaso22.

Bem, vejamos as fotos “chocantes” e o vídeo:

Acima e abaixo: túmulos dos supostamente fuzilados em fevereiro.

Vídeo das sepulturas de 10.000 mortos:


Você está chocado?

Espero que não, porque só um tolo poderia comover-se e engolir essa história.

No vídeo e nas fotos você pode ver que as sepulturas não “foram cavadas apressadamente“, pelo contrário são individuais, e o cuidado com que cada túmulo é cuidadosamente forrado com tijolos e recobertas com cimento.

Na realidade se tratava da reforma de um cemitério local pelos habitantes que aparecem bem tranqüilos observando respeitosamente a tarefa.

Os enterros em massa quando há um massacre não se fazem assim. Eis um exemplo nazista:

Vala comum de Bergen Belsen, Alemanha, em Maio de 1945

Hoje, os enterros em massa são feitos com escavadoras (bulldozers) em uma cova comum bem real, como se pode ver nas imagens difundidas por Breaking News após a captura de Trípoli (no final do vídeo, a partir do minuto 10:00):

Vídeo do Breaking News de 24.09.1123
A manipulação dos sepultamentos em massa nas operações psicológicas da propaganda de guerra não é nova.
Timisoara (Romênia), 1989

No final de 1989, o fim da Guerra Fria na Romênia, o governo comunista de Nicolae Ceausescu permanece no poder. Como na Líbia de hoje os meios de desinformação de massas do “mundo livre” espalham a notícia com imagens de “genocídio” perpetrado pela polícia de Nicolae Ceaușescu contra sua própria população em 17 de dezembro.

Nove túmulos na Romênia24.


Em 22 de Dezembro se anunciou a descoberta de uma vala com 4.630 pessoas mortas, torturadas e baionetadas
25. No dia 24 o primeiro-ministro belga falou de 12.000 mortos. No dia 25 Ceaușescu é capturado, julgado sumariamente e executado. 
Dois dias após se detalham as atrocidades: “mãos e pés cortados, unhas arrancadas, cabeças semi-separadas do corpo, rostos queimados com ácido, a maioria dos corpos destripados e sumariamente costurados…26.

Era uma falsificação, como foi há pouco em Trípoli.


As imagens de corpos mostrados em jornais e na televisão, na verdade pertenciam aos corpos desenterrados do cemitério da cidade.

Propaganda comunista? Não. O renomado filósofo, Giorgio Agamden, explica: “Pela primeira vez na história da humanidade, cadáveres recém enterrados ou alinhados nas mesas das morgues foram desenterrados apressadamente e torturados para simular ante às câmeras o genocídio que devia legitimar o novo regime. O que o mundo inteiro tinha ao vivo diante de seus olhos como a verdade nas telas de televisão, era a absoluta ‘antiverdade’, e ainda que a falsificação resultara às vezes evidente, era de todas as formas autenticada como verdadeira pelo sistema de mídia global , para deixar claro que o real não seria, doravante, mais que um momento do necessário movimento do falso27.

A falsificação era evidente, mas só foi denunciada pelo jornal Solidaire do Partido do Trabalho da Bélgica
28
.

Homem fingindo em Timisoara


Como é possível que esses corpos em avançado estado de decomposição pudessem ter sido mortos cinco dias antes?

“Interessante”: a falsa vala comum na Romênia em 1989


Como foi possível que as baionetadas seguissem precisamente a linha média ao longo do peito e do abdômen? Como é possível um feto “arrancado do ventre de sua mãe” ter um tamanho de mais de meio metro?


Pode-se ver também na foto que os cadáveres não foram costurados sumariamente, mas ao contrário, com cuidado, como se faz logo após a autópsia em um hospital.

Panamá 1989
“Sem interesse”: a verdadeira vala comum no Panamá em 1989


Michel Collon29 , em seu excelente manual para combater a desinformação da mídia, faz o paralelo com outro evento que aconteceu exatamente no mesmo tempo: a invasão do Panamá pelos militares dos EUA em 20 de dezembro de 1989. Neste caso, a informação foi aferrolhada, o exército dos Estados Unidos impediu os jornalistas de terem acesso à cena de seus crimes. Oficialmente se falou de uns 50 panamenhos mortos. A realidade estava entre 700 e 4.000 que foram enterrados em 12 valas comuns, duas das quais foram abertas em 199030. A “imprensa livre” não informou sobre esse fato real, ao contrário do que fez com as valas comuns inventadas na Romênia e na Líbia.

Guatemala 36 anos

O mesmo aconteceu na Guatemala e em outros países da América Central e da América do Sul, onde os assassinos locais foram treinados na sinistra Escola das Américas, do exército dos EUA,  conforme documentado em um artigo recente publicado neste boletim31.

Parentes orando diante de uma vala comum em San Andrés Sajcabajá, na Guatemala. Em 36 anos de genocídio o exército guatemalteco e os grupos paramilitares assassinaram 200.000 pessoas e desapareceram com outras 50.000.

Colômbia

Entre 1948 e 1953 os conservadores ligados à oligarquia rural colombiana apoiados por infra estrutura e política dos EEUU protagonizaram um período de repressão denominado La Violência, assassinando cerca de 200.000 cidadãos.

A partir de 1980, no governo de Julio César Turbay Ayala, com o apoio dos Estados Unidos, foi autorizada a formação de grupos paramilitares, conhecidos como “esquadrões da morte”. Treinados nos Estados Unidos e patrocinados pelos latifundiários e pelos “barões da droga”, esses grupos, como a Autodefesas Unidas Colombianas (AUC), assassinaram e desapareceram com cerca de 70.000 colombianos, entre políticos de oposição, intelectuais, defensores de direitos humanos, sindicalistas, líderes comunitários e a população rural suspeita de apoiar a guerrilha. Cerca de 12 milhões de camponeses já abandonaram suas terras nos últimos 15 anos, que foram facilmente ocupadas por fazendeiros e narcotraficantes.


A intervenção militar e paramilitar norte-americana na Colômbia já investiu vários bilhões de dólares em armamentos, treinamentos e presença militar com várias bases instaladas no território, institucionalizadas com o Plano Colômbia desde o ano 2.000.

No início de 2010 o mundo deparou-se com a descoberta e divulgação da maior vala comum de sepultamentos em massa após os regimes de Hitler na Alemanha e de Pol Pot no Camboja. Está situada no povoado de Macarena, 200 km ao sul de Bogotá, capital da Colômbia e avalia-se conter mais de 2.000 corpos de assassinados pelo exército e pelos grupos paramilitares da Colômbia a partir do ano de 2.005, entre os quais centenas de líderes sociais, camponeses e defensores comunitários, além dos chamados “falsos positivos” (trabalhadores pobres mortos para constar como guerrilheiros abatidos) que desapareceram nesse período sem deixar rastro.

O horror na Colômbia supera os limites, mas quase não é divulgado pela grande imprensa mundial. Estima-se a existência de mais de 1.000 valas comuns com cadáveres sem identificação no país. O instituto da “delação premiada” para os antigos participantes das milícias paramilitares tem permitido a localização de vários cemitérios clandestinos.

A última dessas declarações foi a de John Jairo Renteria, alias Betume , que acaba de revelar ao Ministério Público e aos parentes das vítimas que ele e seus capangas enterraram “pelo menos 800 pessoas” na fazenda Villa Sandra, em Puerto Asis, na região de Putumayo. “Tivemos de desmembrar pessoas. Todos na AUC tiveram que aprender isso e muitas vezes se fez com pessoas vivas“, confessou o chefe paramilitar à promotora de Justiça e paz.

Obra do Exército e dos Grupos Paramilitares da Colômbia: vala comum em Macarena, contendo mais de 2.000 corpos de cidadãos executados clandestinamente. É a maior do gênero no continente. Apareceu na internet como “obra de Qaddafi”.


Iugoslávia, 1999

Dez anos depois, a “imprensa livre” novamente usa o mesmo truque para preparar a “guerra humanitária” da NATO contra a Iugoslávia, demonizando o governo socialista da Sérvia. “O massacre de Racak é terrível, com mutilações e cabeças decepadas. É um cenário ideal para despertar a indignação da opinião pública internacional. Algo parece estranho na matança. Os sérvios matam normalmente sem realizar mutilações […] Como mostra a guerra da Bósnia, as denúncias de atrocidades cometidas com os corpos, sinais de tortura, decapitações, são uma arma de propaganda imprecisa […] Talvez não tenham sido os sérvios, mas os guerrilheiros albaneses que mutilaram os corpos32. Hoje, depois de uma década de investigações, análises de ciência forense e testemunhos, evidencia-se que Racak foi uma sórdida manipulação de informações que desencadeou o bombardeio de quase três meses pela OTAN sobre a Iugoslávia. Os corpos decapitados eram de próprios combatentes da KLA mortos em combate ao tentarem atacar um posto militar sérvio e cujos corpos foram juntados e barbarizados por seus próprios companheiros de guerrilha, para serem divulgados pela mídia cúmplice como uma execução de massa de civis desarmados.


Como os rebeldes de hoje da Líbia, os homens do Exército de Libertação do Kosovo, os guerrilheiros albaneses do KLA, foram chamados de “combatentes da liberdade.” Assim como agora na Líbia, eram mercenários em terra que colaboravam nos massacres da OTAN cometidos na Iugoslávia.

Assim como agora na Líbia, o KLA incluía membros da Al-Qaeda, que no passado também foram celebrados como “combatentes da liberdade” para derrubar o governo do Afeganistão
33.

A mídia escondeu suas atrocidades cometidas sob o amparo da OTAN. Assim como agora na Líbia, uma de suas marcas em Kosovo foram decapitações.

Decapitações de sérvios na Iugoslávia34

Nós já publicamos fotos e vídeos de pacientes negros decapitados no hospital de Abu Salim após a captura de Trípoli pelo CNT/OTAN/Al-Qaeda35.

Guatemala: ensañamiento y perversidad”, de Prudencio García, publicado no Boletín 393 do CIAR/AMC e também na Rede Voltaire. A decapitação é uma tática efetiva para aterrorizar a população. Talvez tenha algo a ver com o fato de que tiveram os mesmos professores?

Os esquadrões da morte da Guatemala haviam sido treinados pelos norte-americanos na sinistramente célebre escola de assassinos chamada “Escola das Américas“, que tinha sua sede no Panamá e nos Estados Unidos. (No citado artigo de Prudencio García estão incluídos alguns vídeos sobre a história dessa “Escola”).


Os “combatentes pela liberdade” do Afeganistão, que logo se converteriam em membros da Al-Qaeda, foram treinados por membros dos serviços de inteligência dos EUA que os denominaram de “freedom fighters” e foram financiados pela CIA, pelo MI6 e pelo dinheiro saudita38.

Estes mercenários ligados à Al Qaeda têm sido usados e ainda continuam sendo, segundo conveniência: para justificar a fraudulenta guerra “contra o terrorismo” na Somália e no Iêmen ou para desestabilizar países como a ex-repúblicas soviéticas, na Chechênia, na Iugoslávia, no Iraque e, agora, na Líbia e na Síria.

Terroristas e criminosos declarados
Hashim Thaçi (Primeiro-Ministro de Kosovo) e Javier Solana (ex-Secretário Geral da UE).

Abdelhakim Belhadj

Os líderes atualmente no comando dos governos de Trípoli e Kosovo são terroristas e criminosos declarados. O líder do governo de Kosovo, Hashim Thaçi, tem sido acusado inclusive diante do Conselho da Europa, de “liderar um clã político-criminal criado antes da guerra e está envolvido não apenas no tráfico de heroína, mas também no de órgãos humanos, como informamos anteriormente39. A justiça da Sérvia acusa o clã de Hashim Thaçi pelo assassinato de cerca de 500 prisioneiros sérvios cujos rins foram arrancados e vendidos no mercado clandestino.

O líder do governo de Trípoli, Abdelhakim Belhadj, que agora lidera as forças de Trípoli e escreve artigos no The Guardian britânico40, é um comprovado ex-membro da Al-Qaeda, como já documentamos recentemente41. Ademais é notório que ele esteve encarcerado na prisão de Abu Salim, de onde foi libertado por uma anistia concedida por Muammar Qaddafi juntamente com centenas de islamistas que tinham conspirado contra o governo e até mesmo tentado matá-lo. Antes de liberá-los Qaddafi lhes fez prometerem que renunciariam à luta armada e cometeu o trágico erro de confiar em sua palavra. Libertados em 2009 e 2010, logo se converteriam no núcleo duro e armado da revolta de Benghazi. O filho de Muammar, Saif al-Islam Gaddafi, que dirigiu o programa de libertação dos prisioneiros lamentou o fato publicamente. Foi um erro fatal a que foi induzido por seu então ministro da Justiça Abdel-Jalil, agora na direção do CNT, por trás do qual se encontrava Mark Allen, que trabalhou para o serviço de inteligência britânico MI6 e para a British Petroleum BP42.

Curiosamente, em ambos os casos, estes dois terroristas em Kosovo e em Trípoli chegaram ao poder com o apoio da OTAN, fiel cão de guarda dos interesses financeiros das elites ricas do Ocidente que repartiram entre si a Iugoslávia e já estão fazendo o mesmo com a Líbia.

Haiti, 2010

O terremoto ocorrido em 12 de janeiro de 2010 no Haiti ocasionou mais de 270.000 mortos, outro tanto de feridos e mais de 1 milhão de desabrigados. Dezenas e dezenas de milhares de corpos foram enterrados em grandes valas comuns, para evitar que a putrefação ocasionasse alguma epidemia. Em alguns sítios da internet fotos como esta abaixo aparecem como sendo de “negros massacrados” na Líbia e em outros países africanos.

Referências:

  1 Prisão de Abu Salim


  2 Mass grave of Libyan prisoners found. http://english.aljazeera.net/news/africa/2011/09/20119251823889148.html


  3 Marinella Correggia. Timisoara bis: le faux charnier d’Abu Salim (Libye). 2 octubre 2011.
Investig’Action. http://www.michelcollon.info/Timisoara-bis-le-faux-charnier-d.html?lang=fr
www.mondialisation.ca/index.php?context=viewArticle&code=COR20111002&articleId=26894

  4 La Razón foto de arquivo http://bocadelrio.com/noticias/hallan-fosa-con-1270-cadaveres-en-tripoli-victimas-de-khadafi/

  5 http://www.cnn.com/2011/09/25/world/africa/libya-mass-grave/index.html?hpt=wo_c2


  6 Boletín nº388. Matanza racista en Trípoli encubierta por la asociación de defensa de los derechos humanos. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol388.htm

  7 Boletín nº385
La OTAN continúa sus crímenes bombardeando Trípoli y asesinando a miles de personas.
Alfredo Embid.
http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol385.htm
Investig’Action.http://www.michelcollon.info/Timisoara-bis-le-faux-charnier-d.html?lang=fr

  8 Diario francês Le Figaro citado en http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?503675

  9 Jean-Louis Le Touzet en el diario francés Libération citado en http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?503675

10 Declaraciones del portavoz del CNT Noor Jamal Ben citadas en Timisoara bis: le faux charnier d’Abu Salim (Libye) Par Marinella Correggia. 2 octubre 2011. michelcollon.info
www.mondialisation.ca/index.php?context=viewArticle&code=COR20111002&articleId=26894

11 La Repubblica 26 septiembre, citado en Investig’Action.http://www.michelcollon.info/Timisoara-bis-le-faux-charnier-d.html?lang=fr

12 Hallan fosa común en Trípoli con restos de 1.200 personas Domingo, 25 de Septiembre de 2011 Reuters
http://www.misionlandia.com.ar/index.php/world-news/society/23908-hallan-fosa-comun-en-tripoli-con-restos-de-1200-personas.htm

13 http://www.elmundo.es/elmundo/2011/09/25/internacional/1316957035.html

14 http://www.rtve.es/noticias/20110925/descubierta-fosa-comun-1270-cadaveres-tripoli/463975.shtml

15 Boletín nº388. Matanza racista en Trípoli encubierta por la asociación de defensa de los derechos humanos. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol388.htm

16 Boletín nº391. Ejecuciones en los hospitales de Trípoli, las víctimas son los culpables
Alfredo Embid. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol391.htm

17 Líbia: Fosa común denunciada por el CNT es una farsa.
Radio en Vivo – YVKE Mundial | Para Kaos en la Red | 29-9-2011
http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?503675
www.kaosenlared.net/noticia/libia-fosa-comun-denunciada-cnt-farsa

18 Declaraciones del portavoz del CNT Noor Jamal Ben citadas en Timisoara bis: le faux charnier d’Abu Salim (Libye) Par Marinella Correggia. 2 octubre 2011. michelcollon.info
www.mondialisation.ca/index.php?context=viewArticle&code=COR20111002&articleId=26894

19 Boletín nº387 Al Jazeera termina de cavar su propia tumba. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol387.htm

20 Canal Al Arabiya el 22 de febrero 2011.

21 Timisoara bis: le faux charnier d’Abu Salim (Libye) Par Marinella Correggia. 2 octubre 2011
michelcollon.info
www.mondialisation.ca/index.php?context=viewArticle&code=COR20111002&articleId=26894

22 One day on Earth Martes, 22 de febrero: http://www.onedayonearth.org/profiles/blogs/mass-burial-tripoli-libya-feb

23 Libya – Breaking News 24.09.11
http://www.youtube.com/user/Marghibii#p/a/u/0/49sDGLkjx_g

24 http://www.michelcollon.info/local/cache-vignettes/L331xH225/libye_charnier_mediamensonge-8b3d6.png

25 Periódico belga Le soir 23 12 1989.

26 Periódico belga La libre belgique 26 12 1989.

27 Citado en Domenico Losurdo «Extensión del campo de manipulación ¿Qué pasa en Siria?”.
5 de junio de 2011. http://www.voltairenet.org/article169922.html

28 Michel Mommerency “Mediamensonges” p. 73.

29 Web de Michel collon : Investig’Action. http://www.michelcollon.info/Timisoara-bis-le-faux-charnier-d.html?lang=fr

30 Michel Collon. Attentión medias EPO. 1994 Amberes, Bégica pgnas. 48,49. Traducción española en ed Iru.

31 Guatemala ensañamiento y perversidad. Prudencio García
http://www.voltairenet.org/Guatemala-ensanamiento-y

32 Citado en Domenico Losurdo «Extensión del campo de manipulación ¿Qué pasa en Siria?”.
5 de junio de 2011. http://www.voltairenet.org/article169922.html

33 Boletín nº367 Reciclando a los hombres de Ben Laden. Enemigos de la OTAN en Irak y en Afganistán, aliados en Libia. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol367.htm

34 Michel Collon. Attentión medias EPO. 1994 Amberes, Bégica pgna. 294. Traducción española en ed Iru.

35 Boletín nº388 Mas crímenes racistas para celebrar la llegada de “democracia” a Trípoli
Alfredo Embid. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol388.htm

36 Libyan Protestors and Rebels hang and behead soldier
http://www.obamaslibya.com/protestors.html

37 Libyan rebels behead Libyan Soldier
http://www.obamaslibya.com/Beheading.html

38 Boletín nº363 El último atentado de Ben Laden contra el sentido común. Alfredo Embid.http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol363.htm

39 Boletín nº341 Kosovo un narcoestado artificial creado por EE.UU. y la OTAN Alfredo Embid. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol341.htm

40 http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/sep/27/revolution-belongs-to-all-libyans

41 Boletín nº390 La OTAN coloca a Al Qaeda al Mando de Trípoli para llevar la “democracia” a Libia. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol390.htm

42 LIBYE : Les chefs du CNT avaient préparé la conquête de l’OTAN depuis 2007. Par Rebel Griot . 11.09.2011. rebelgriot.blogspot.com – http://www.michelcollon.info/Les-chefs-du-CNT-avaient-prepare.html

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