Jornalistas são criminosos de guerra!

Qual é a contagem média de mortes nas guerras atribuída a cada jornalista?

Julian Assange, do WikiLeaks, fala na Assembléia de Massa Antiguerra de 08 de outubro de 2011, em Londres, no 10º aniversário da guerra do Afeganistão e da formação da Coalisão Pare a Guerra (Stop the War Coalition).
Num discurso simples e direto, Assange fala da elite transnacional que rapina o dinheiro dos impostos no mundo, num processo de lavagem em que usam as lavanderias tétricas de guerras iniciadas por mentiras espalhadas pela mídia cúmplice e os rios de sangue de centenas de milhares de pessoas vitimadas. No final desse processo de lavagem, o dinheiro dos impostos de todos os países foi parar, de um modo “legal”, nas contas bancárias dos proprietários dessas empresas que vendem os serviços, os armamentos, a destruição, e, depois, vendem a reconstrução do que foi destruído e tomam conta da exploração política e econômica do nova ordem instaurada. Para centenas de milhões de pessoas restou a miséria, a barbárie, o desemprego, a fome, a desesperança.
Mas para Assange, “se as guerras podem ser iniciadas por mentiras, a paz pode ser iniciada pela verdade“. Assim, para além do desespero, vislumbra-se a tomada e conquista do poder para um mundo de paz por meio da união das forças de resistência e de valores comuns, com a divulgação da verdade para o mundo todo contra as mentiras da grande mídia corporativa belicista.

Obrigado. Obrigado.

Bem, que multidão maravilhosa. Não é uma multidão que eu consigo ver frequentemente, mas é muito animador ver que tantas pessoas se importam com os valores que eu acalento.

E há algo sobre o qual eu quero falar. O que nós podemos fazer com nossos valores? O que nós podemos fazer de algum modo com relação a esta guerra? Porque a realidade é que Margaret Thatcher tinha razão: não há mais qualquer sociedade. O que há é uma elite transnacional de segurança que está ocupada repartindo, esquartejando o mundo, usando o dinheiro de seus impostos.

Para combater essa elite nós não devemos requerer, fazer petições. Nós devemos tomar, assumir, conquistar. Nós devemos formar nossas próprias redes de força, resistência e valores comuns, que possam desafiar aquelas forças e os valores de interesses-próprios dos fomentadores de guerra neste país e em outros que formaram de mãos dadas uma aliança para tomar o dinheiro dos Estados Unidos, de cada país da OTAN, da Austrália, e lavá-lo através de Afeganistão, lavá-lo através de Somália, lavá-lo através de Yemen, lavá-lo através do Paquistão, e lavar esse dinheiro no sangue das pessoas.

Eu não preciso contar-lhes a depravação, a perversidade da guerra. Vocês todos estão por demais familiarizados com suas imagens, com os refugiados da guerra, com a informação que nós temos revelado mostrando a miséria, a sordidez cotidiana e a barbaridade da guerra. Informações tais como das mortes individuais de 130.000 pessoas no Iraque — mortes individuais — que foram mantidas secretas pelas forças militares dos EEUU, que negaram que alguma vez tivessem contado as mortes dos civis. Em vez disso eu quero dizer-lhes o que eu penso que seja o modo como as guerras surgem e como as guerras podem ser desfeitas.

Nas democracias (ou nas pseudo-democracias para as quais nós estamos evoluindo) as guerras são um resultado das mentiras. A guerra de Vietnam e o empurrão para o envolvimento dos EEUU foram resultados do incidente do Golfo de Tonkin (uma mentira). A guerra de Iraque é notoriamente um resultado de mentiras. A guerra na Somália é um resultado de mentiras. A Segunda Guerra Mundial e a invasão de Polônia foram resultados de mentiras cuidadosamente construídas. Isso é guerra pela mídia.

Perguntemo-nos a nós mesmos sobre a mídia cúmplice, que é a maioria da grande imprensa, qual é a contagem média de morte atribuída a cada jornalista?

Quando nós compreendermos que as guerras surgem como resultado das mentiras espalhadas ao público britânico e ao público americano e ao público de toda Europa e outros países, então quem são os criminosos de guerra? Não são apenas os líderes, não são apenas os soldados, são os jornalistas. Os jornalistas são criminosos de guerra.

E embora se possa pensar que isso deveria nos conduzir a um estado de desespero, que a realidade que está construída em torno de nós é construída por mentirosos, é construída pelas pessoas que estão próximas daqueles que eles deveriam estar policiando, ela deve nos conduzir igualmente a uma compreensão otimista porque se as guerras podem ser iniciadas por mentiras, a paz pode ser iniciada pela verdade.

De modo que seja nossa tarefa e seja a tarefa de vocês. Vão e obtenham a verdade. Entrem em campo e peguem a bola e dêem-na para nós e nós iremos espalhá-la por todo o mundo.

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